Portugal

Rogério Pipi

Nome completo
Rogério Lantres de Carvalho
Número
10
Naturalidade
Lisboa, Portugal
Data de nascimento
1922-12-07
Periodo no Benfica

1942 - 1954

Jogos Minutos Cartões Amarelos Cartões vermelhos Golos
Total 310 27900 0 0 205
Seniores > 1942/1943 > SL Benfica 22 1980 0 0 9
 
Campeonato de Lisboa 10 901 0 0 5
Campeonato Nacional 8 721 0 0 1
Taça de Portugal 4 361 0 0 3
Seniores > 1943/1944 > SL Benfica 27 2430 0 0 17
 
Campeonato de Lisboa 10 901 0 0 4
Campeonato Nacional 13 1171 0 0 5
Taça de Portugal 4 361 0 0 8
Seniores > 1944/1945 > SL Benfica 32 2880 0 0 24
 
Campeonato de Lisboa 9 811 0 0 5
Campeonato Nacional 16 1441 0 0 16
Taça de Portugal 7 631 0 0 3
Seniores > 1945/1946 > SL Benfica 34 3060 0 0 23
 
Campeonato de Lisboa 10 901 0 0 4
Campeonato Nacional 22 1981 0 0 18
Taça de Portugal 2 181 0 0 1
Seniores > 1946/1947 > SL Benfica 27 2430 0 0 27
 
Campeonato de Lisboa 10 901 0 0 10
Campeonato Nacional 17 1531 0 0 17
Seniores > 1947/1948 > SL Benfica 13 1170 0 0 10
 
Campeonato Nacional 9 811 0 0 6
Taça de Portugal 4 361 0 0 4
Seniores > 1948/1949 > SL Benfica 26 2340 0 0 15
 
Campeonato Nacional 22 1981 0 0 5
Taça de Portugal 4 361 0 0 10
Seniores > 1949/1950 > SL Benfica 28 2520 0 0 17
 
Taça Latina 3 271 0 0 1
Campeonato Nacional 25 2251 0 0 16
Seniores > 1950/1951 > SL Benfica 26 2340 0 0 17
 
Campeonato Nacional 19 1711 0 0 11
Taça de Portugal 7 631 0 0 6
Seniores > 1951/1952 > SL Benfica 25 2250 0 0 27
 
Campeonato Nacional 18 1621 0 0 14
Taça de Portugal 7 631 0 0 13
Seniores > 1952/1953 > SL Benfica 24 2160 0 0 9
 
Campeonato Nacional 17 1531 0 0 6
Taça de Portugal 7 631 0 0 3
Seniores > 1953/1954 > SL Benfica 26 2340 0 0 10
 
Campeonato Nacional 25 2251 0 0 10
Taça de Portugal 1 91 0 0 0

Primeiro jogo

Domingo, Outubro 11, 1942 - 00:00

Campo Grande (Estância de Madeira) ,

SL Benfica: António Martins, Mário Galvão, Álvaro Gaspar Pinto, César Ferreira, Francisco Ferreira, Francisco Albino, Rogério Pipi, Joaquim Teixeira, Julinho, Dario, Alfredo Valadas
Treinador: János Biri
Golos: Mário Galvão (46), Rogério Pipi (38), Julinho (77), Julinho (78), Alfredo Valadas (60)

Último jogo

Domingo, Maio 23, 1954 - 00:00

Nacional do Jamor ,

SL Benfica: José Bastos, Ângelo Martins, Artur Santos, Joaquim Fernandes, Francisco Moreira, Francisco Calado, Rogério Pipi, Fernando Caiado, José Águas, Arsénio, Francisco Palmeiro
Treinador: José Alberto Valdivieso
Golos: Francisco Calado (77), Arsénio (34)

34199 - Tópico: Rogério "Pipi"  (Lida 25786 vezes)

quinas1139

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  • 25 de Janeiro de 2009, 01:08


Nome Completo: ROGÉRIO Lantres de Carvalho "PIPI"
Posição: Extremo Esquerdo
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 07-12-1922
Número da Camisola: 10
Pé Preferido: Direito


Épocas ao serviço do Benfica: 12
Total de Jogos pelo Benfica: 320
Total de Golos pelo Benfica: 212
Títulos pelo Benfica:
1 Taça Latina (1949/1950)
3 Campeonatos Nacionais (1942/1943; 1944/1945; 1949/1950)
6 Taças de Portugal (1942/1943; 1943/1944; 1948/1949; 1950/1951; 1951/1952; 1952/1953)

1942/1943
Jogos: 22
Golos: 10 (1 na Liga)


1943/1944
Jogos: 27
Golos: 14 (5 na Liga)

1944/1945
Jogos: 32
Golos: 25 (16 na Liga)

1945/1946
Jogos: 34
Golos: 24 (18 na Liga)

1946/1947
Jogos: 27
Golos: 27 (17 na Liga)

1947/1948
Jogos: 13
Golos: 10 (6 na Liga)

1948/1949
Jogos: 27
Golos: 16 (6 na Liga)

1949/1950
Jogos: 28
Golos: 17 (16 na Liga)

1950/1951
Jogos: 26
Golos: 17 (11 na Liga)

1951/1952
Jogos: 25
Golos: 27 (14 na Liga)

1952/1953
Jogos: 23
Golos: 9 (6 na Liga)

1953/1954
Jogos: 26
Golos: 11 (11 na Liga)
« Última modificação: 13 de Outubro de 2013, 22:16 por Shoky »

quinas1139

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  • 25 de Janeiro de 2009, 01:11
Benfica 2-1 Bordéus (a.p.) | Taça Latina 1949/50 - Final

« Última modificação: 19 de Junho de 2013, 01:36 por Shoky »

quinas1139

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  • 25 de Janeiro de 2009, 01:12
Rogério Lantres de Carvalho. Lisboa. 7 de Dezembro de 1922. Avançado.
Épocas no Benfica: 12 (42/54). Jogos: 310. Golos: 207. Títulos: 3 (Campeonato Nacional), 6 (Taça de Portugal) e 1 (Taça Latina).
Outros clubes: Chelas, Botafogo e Oriental. Internacionalizações: 15.



Só tem menos 20 anos que o Benfica. Embeiçou pelo clube na infância, vestiu-lhe a camisola, deu-lhe glórias. Hoje, são recordações. Recordações de quem era conhecido por ter pés inteligentes, que faziam coisas incríveis com a bola. Espécie de antítese do jogador prosaico, cultivava a diferença. À custa de fintas prodigiosas, assistências perfeitas, finalizações requintadas. Era o Pipi, Rogério Pipi, elegante e aprumado, dentro… e fora do campo.

Nasceu em Chelas, a 7 de Dezembro de 1922, no mesmo ano em que da sua Lisboa partiu o hidroavião “Lusitânia” pilotado por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, viajando entre Portugal e o Brasil. O pai havia sido fundador do Chelas, enquanto o irmão, Armindo França, um dos melhores atletas do clube, mais tarde Oriental, após se ter fundido com outra agremiação desportiva. Por isso, no Chelas começou a jogar, convivendo mal com o peso do parentesco, mesmo que reminiscente estivesse a paixão pueril pela bola.

Chegou ao 4º ano na Escola Afonso Domingues, que abandonou para trabalhar no Grémio das Carnes. Num jogo entre solteiros e casados, apitado por Fernando Peyroteo, deslumbrou de tal forma que o seu companheiro de profissão e mais tarde grande glória sportinguista o quis levar para o clube do Visconde de Alvalade. Ainda treinou no Sporting, mas o ambiente não o cativou, nem sequer a proposta de 25 notas para que de verde trajasse. Um conto de réis mais ofereceria o Benfica e o acordo acabou por ser selado.

Estreou-se com o Belenenses, nas Salésias, como extremo-direito. Mas foi sol de pouca dura, já que Janos Biri acabou por fixá-lo no lado canhoto. Ele que até preferia jogar como interior. “Teria sido melhor para mim e para o Benfica, decerto até com uma carreira mais prolongada”. Que é como quem diz, menos sujeita às porradas de alguns ferrabrás, na altura proliferantes no posto de lateral-direito.

Tal como na literatura, também o futebol passou, nos anos 50, da fase romântica para um estádio de maior realismo. Seja como for, Rogério desceu os últimos degraus do “amor à camisola”. E disso se ufana mesmo. “Por exemplo, em 1945, por nos sagrarmos campeões recebemos um prémio de 500 escudos. Pareceu-nos uma fortuna, porque, naquela altura, o ordenado mensal de um craque andava pelos mil escudos. Ninguém podia viver só do futebol. Eu jogava e trabalhava como Peyroteo no Grémio das Carnes. O Espírito Santo, o Jesus Correia e o Canário trabalhavam no Grémio das Mercearias”. Era a fase agonizante do futebol romântico. Agonizante, mas bela.



A primeira época no Benfica foi inesquecível. Ao lado de alguns dos seus ídolos, daqueles cujos cromos saiam nos rebuçados, contraditoriamente, a menos de um tostão cada qual, casos de Albino, Gaspar Pinto e Francisco Ferreira, logo a equipa garantiu a primeira e histórica dobradinha, vencendo o Campeonato e a Taça de Portugal. Foi em 42/43. Dois anos volvidos, novo triunfo no Nacional.

Seguiu-se um período penoso para o colectivo benfiquista, consubstanciado numa longa abstinência. Um titulo para o Belenenses e três consecutivos para o Sporting perturbaram as hostes e apelaram à retoma. Foi nesse período, corria o ano de 1947, que Rogério viveu a sua primeira e única experiência internacional, coisa virgem na altura. Ingressou no Botafogo. “No Brasil recebia cerca de 18 contos por mês. Pude mesmo comprar um automóvel, no regresso, que era, então, o sonho de qualquer jogador de futebol”. Não se deu bem, já casado e à espera de um rebento. Voltou ao Benfica, que o cacau não estava à cabeça das suas prioridades.

Na dobragem da década, deu-se a primeira afirmação internacional do clube da águia. A época de 49/50 fez regressar a equipa ao topo caseiro, com a vitória no Nacional, mas também conquistar a Taça Latina ao Bordéus (2-1, após dois prolongamentos). “Quando o jogo acabou ficou tudo… louco. Só sei que entre empurrões, voando sobre os ombros dos benfiquistas em grande histeria, cheguei à tribuna. O presidente da República pôs-me a taça nas mãos. Ainda hoje não consigo descrever o que senti”. Talvez a pré-história do Benfica europeu.



Numa dúzia de anos vermelhos, Rogério foi 15 vezes internacional. Venceu três Campeonatos e seis Taças. Tinha, de resto, uma especial apetência para a prova-rainha do futebol indígena. Jogou e marcou em todas as finais. Ainda hoje, é o melhor a concretizar, mercê de 15 golos, alguns dos quais ainda lembrados pelo seu carácter decisório.

O maior jogador português do inicio dos anos 50 indemne tem passado ao longo dos anos. Mais que legenda é lenda. Que a nação benfiquista tem sabido proteger ou não se tratasse de alguém que inventou o futuro.




Tópico: Memorial Benfica, Glórias
Autor: Ednilson
Link: http://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.180
« Última modificação: 21 de Abril de 2013, 00:06 por Shoky »

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  • 25 de Janeiro de 2009, 19:55
Image
 
 
Fonte - ABOLA: "100 figuras do futebol português"
 
Rogério Lantres de Carvalho
Natural de Lisboa — 7 de Dezembro de 1922

Era o protótipo do futebolista fino, armador genial, fintador extraordinário, marcador temível. Mas com a genialidade intermitente. Imprevisível. Em que tanto poderia atingir o golpe de asa como deixar-se a escabujar em lamaçal de inutilidade. Por isso se dizia que se o Rogério fosse sempre o Rogério dos seus melhores dias teria sido um dos melhores jogadores do Mundo da sua geração...
Nasceu em Chelas. Seu pai fora um dos fundadores do Chelas, que, fundindo-se com o Fósforos, haveria de dar origem ao Oriental. Seu irmão Armínio França fora uma das mais refulgentes estrelas do clube que o pai fundara. Por isso, durante muito tempo, de Rogério se dizia ser o... irmão do França. No Chelas começou, naturalmente, a jogar. Mas ao vestir a camisola sentia sempre o peso insustentável do parentesco. Temia falhar e deixar mal o nome do irmão.

Peyroteo quis levá-lo para o Sporting...


Foi estudando, na Escola Afonso Domingues. Até ao 4.º ano. Desistiu para se empregar no Grémio das Carnes. Foi aí que conheceu Peyroteo, que trabalhava na secção ao lado. Num jogo entre solteiros e casados, para pessoal do Grémio, em que Peyroteo alinhou como... árbitro, Rogério, que guardara a sua condição de jogador do Chelas como um segredo sagrado, deu de tal modo nas vistas que Peyroteo quis levá-lo para o Sporting. Fez um treino como ponta-esquerda da equipa de reservas, mas como não lhe ligaram peva, raramente lhe passaram a bola, decidiu jamais lá voltar. Mas, porque Peyroteo lhes chamara a atenção para a marosca que os outros tinham feito no campo, os dirigentes do Sporting acordaram oferecer-lhe 25 contos. Ao sabê-lo, o Benfica entrou, célere e lesto, na jogada, subindo a parada em um conto de réis. Foi quanto bastou. Selou-se o acordo. Para Rogério, 16 contos; 10 para o Chelas. E, para além do dinheiro, um jogo entre o Chelas e o Benfica. Com uma condição: que Rogério jogasse pelo clube que iria abandonar. Assim se fez. «Lembro-me de que o Francisco Ferreira ficou a marcar-me. Andou o jogo todo a beber água e a borrifar-me com os bochechos sempre que eu lhe fugia.»
Pelo Benfica estreou-se contra o Belenenses, nas Salésias. Como extremo-direito. Mas como Francisco Valadas se retirara das lides, Janos Biri transferiu-o para a esquerda, passando a jogar ao lado de Teixeira, a quem, ternamente, todos chamavam... Semilhas. Assim ficou. Mas pela vida fora foi dizendo que se o tivessem utilizado como interior teria rendido muito mais...

A bicicleta do Benfica e o automóvel do Botafogo

No seu tempo viveram-se os últimos dias do futebol romântico. «Posso dizer que joguei quase sempre por amor à camisola.» Dinheiro? Muito pouco e apenas em situações especiais. «Por exemplo, em 1945, por nos sagrarmos campeões recebemos um prémio de 500 escudos. Pareceu-nos uma fortuna, porque, naquela altura, o ordenado mensal de um craque andava pelos mil escudos. Por isso, ninguém podia viver só do futebol. Eu jogava e trabalhava com o Peyroteo no Grémio das Carnes. No Grémio das Mercearias trabalhavam o Espírito Santo, o Jesus Correia, o Canário. O maior prémio na Taça de Portugal foi em 1954, na minha última vitória: cada um de nós recebeu dois contos de réis, que naquela altura davam para sustentar uma casa de família um mês inteiro. Em Portugal não se enriquecia com o futebol. Quando fui para o Brasil recebia cerca de 18 contos por mês. Num ano ganhei mais do que ganhara em toda a minha vida. Deu para comprar um automóvel, no regresso, que era, então, o sonho de qualquer jogador de futebol. Com o dinheiro do Benfica comprei uma bicicleta, que utilizava para me deslocar para o quartel, durante a tropa...»
E por estar ainda habituado ao sentimentalismo, depois de escorraçado por Otto Glória da Luz foi jogar para o Oriental. Não quis ordenado. Que era coisa que muitos clubes lhe queriam dar. O Caldas, por exemplo. Aceitou apenas receber os prémios. E iguais aos de todos os outros. Com a camisola do Oriental, tendo como companheiro Azevedo, foi campeão nacional da II Divisão...

Multa na «guerra do bacalhau»

Talvez fosse o seu único complexo. De inferioridade. Sempre que o sportinguista Álvaro Cardoso lhe saía ao caminho, Rogério anulava-se a si próprio. Como se o outro fosse a bête noire que o arrebanhasse. Inapelavelmente. «Por isso, foi com uma alegria imensa que o vi abandonar o futebol. Se ele, nesse dia, fez a sua festa, eu fiz a minha. Nunca mais jogaria contra ele...»
Ainda a propósito de jogos com o Sporting... Igualmente por meados dos anos 40, um grupo de jogadores decidiu concentrar-se num restaurante do Lumiar poucas horas antes de uma partida decisiva contra o Sporting. Sem se preocuparem muito com a peleja, fizeram grande almoçarada. Batatas com bacalhau. Foram para o jogo e perderam. Por 3-1. Só não foi catastrófico o resultado porque, nesse dia, os sportinguistas estavam de pontaria desafinada. Mas, no jogo jogado, foi tal a humilhação que os dirigentes do Benfica decidiram castigar com multa de meio mês de ordenado todos os jogadores que suspeitava terem estado no restaurante. Abriu-se assim uma novela pícara, que ficaria por esse tempo famosa como a guerra do bacalhau. Por mais que Rogério jurasse que não tinha estado no que os seus directores diziam ter sido um... pic-nic, que jogara mal por causa daquelas grilhetas que Cardoso lhe amarrava nas pernas, também foi castigado...
Não muito tempo depois, quando o Sporting, ganhando nas Amoreiras por 4-1, arrebatou o Campeonato de 1947/48, por um golo apenas, no que ficaria para a história como o Campeonato do pirolito, por aquele golo à maior ficar para sempre atravessado na garganta dos benfiquistas. Quatro golos marcou então Peyroteo e Rogério nunca mais se esqueceu do rosto lívido do guarda-redes do Benfica, Rogério Contreiras, que, na cabina, não era capaz de dizer mais que a frase que repetiria, como se fosse disco riscado, vezes sem conta: «Não sei o que o Peyroteo tinha nos pés que ele rematava e as bolas torciam a meio do caminho, enganando-me.» Mas nem o facto de nesse dia não ter havido almoçarada de bacalhau evitou que os benfiquistas fossem, todos, castigados com base na mesma salomónica medida.

Para o Botafogo, em lua-de-mel...

Rogério foi o primeiro futebolista português contratado para jogar no Brasil. Em 1947 recebeu convite do Botafogo. Foi a forma que um dos seus dirigentes descobriu para captar adeptos portugueses que chegavam ao Rio e começavam, como que por sentimental impulso, a torcer pelo Vasco da Gama. Ofereceram-lhe 40 contos de luvas e um ordenado entre 3000 e 5000 cruzeiros. Pediu 50. Deram. Como deram... 100 ao Benfica. Foi essa verba que convenceu Tamagnini Barbosa, presidente benfiquista, que até aí vetara a transferência.
Para partir para o Rio, Rogério antecipou em dois meses o casamento. Foi à aventura, mas, também, em lua-de-mel. Não foi muito feliz. O dr. Heleno, que era jogador carismático, fez-lhe a vida negra. Lançou-lhe cascas de banana para o caminho e porque, entretanto, a mulher engravidara e desejava que o filho nascesse em Portugal, Rogério quis mudar, outra vez, de rota. Oito meses depois estava de regresso ao Benfica, por imposição da DGD. Nem sequer pôde negociar quem estivesse disposto a dar-lhe mais. O F. C. Porto, por exemplo. Mas, com o dinheiro que trazia, pôde abandonar o emprego no Grémio das Carnes para se dedicar, exclusivamente, ao futebol. Só algum tempo depois passaria a agente de vendas da Auto-Boavista, emprego que manteria pela vida fora. Quando, em 1954, Otto Glória chegou ao Benfica, recusou jogadores empregados. Com 32 anos, Rogério viu que não poderia aspirar a muitos mais anos de águia ao peito. Desempregar-se seria loucura. E, magoado, foi para o Oriental, onde o irmão, Armínio França, era director...

Taça Latina nas mãos por capricho

Quando chegava a hora da final da Taça de Portugal o génio libertava-se. Esteve em cinco finais, apontou 15 golos e não conheceu uma única derrota. Se há, em todas as vitórias doces encantos, em algumas há mais que em outras. «Impressionante foi aquela final em que o Benfica ganhou ao Sporting por 5-4 e eu marquei três golos, o último dos quais a 15 segundos do fim.» Assinou o golo que valeu a Taça e desmaiou. De emoção muito mais que de cansaço. «Inesquecível, também, uma final com a Académica, com vitória do Benfica por 5-1 e quatro golos meus. Na minha primeira final, contra o Estoril, em 1943, o Benfica ganhou por 8-1 e eu marquei cinco golos. O Estoril até tinha uma boa equipa, só que nesse dia eu estava endiabrado, os estorilistas diziam-me que sem mim talvez pudessem ter feito uma gracinha.»
Histórica seria, também, a final da Taça em que o Benfica bateu o F. C. Porto por 5-0. Em 1953. Na tal final entre Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira. Foi Rogério quem abriu o activo. Por aquele golo recebeu de oferta um relógio de ouro. Não o quis para si. Ofereceu-o à Direcção do Benfica, para que o leiloasse e juntasse o produto da venda para o fundo com vista a financiar as obras do Estádio da Luz...
Mas nesse rol de vitórias não há, naturalmente, a magia da conquista da Taça Latina. Que lhe foi posta nas mãos por um desses incompreensíveis caprichos do destino. «Quando o jogo acabou ficou tudo... louco. Só sei que, por entre empurrões, voando sobre os ombros dos benfiquistas em quase histeria, cheguei à tribuna. O Presidente da República pôs-me a Taça Latina nas mãos. Ainda hoje não consigo descrever o que senti...» O capitão do Benfica era, nesse jogo, Moreira. Mas foi Rogério quem viveu aquele momento arrebatante de tocar a taça e beijá-la, como se fora uma pérola. De uma vida. Para toda a vida.


«Pipi»

Quando chegou ao Benfica, tão franzino era que Gaspar Pinto lhe chamou... «agulha». A alcunha não pegou. Pegaria outra, lançada, entretanto, por Francisco Albino: «pipi»! Era assim que se chamava aos rapazes da moda, que vestiam casacos cintados e colarinhos altos. «Eu era um jogador muito elegante, gostava de vestir bem e, um dia, um alfaiate famoso convidou-me a posar, ofereceu-me um fato de gala e um sobretudo e chamou um fotógrafo de arte. Fui, para espanto meu, primeira página da revista 'Flama', como se fosse um artista de... Hollywood. E como estava todo pipi...»
Pipi passou a ser, para si, estilo de vida. Por isso, quando foi para a tropa e lhe cortaram a popa à... pipi, sentiu-se como se fora Sansão sem cabelo. Encafuou um chapéu de palha na cabeça, que colegas mais atrevidos lhe queimaram nos balneários. Quis jogar de boina na cabeça, mas também não lho permitiram. Assim, de angústia foram os dias de cabeça rapada.
« Última modificação: 21 de Novembro de 2012, 17:21 por Shoky »

quinas1139

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  • 26 de Janeiro de 2009, 02:32
Grande post. Vi um vídeo em que tem uma finta dele fabulosa. A única coisa que consegui ver dele a jogar

Abrigado Corrosivo.
A donde vistes es video do Rogerio??
 
Eu tenho varios DVD's mas nenhum do Rogerio.
Aqui esta a minha coleccao -
 
« Última modificação: 26 de Janeiro de 2009, 02:34 por quinas1139 »

Corrosivo

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  • 26 de Janeiro de 2009, 10:19
foi numa colecção creio que feita pelo Record aquando dos 100 anos do Benfica. A colecção tem um dvd para estrelas, uma para os estádios, outro para as finais da Taça dos Campeºoes, etc.

O ROgério é uma das estrelas do dvd "Estrelas" e aparece lá uma finta dele

quinas1139

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  • 26 de Janeiro de 2009, 14:47
Estas a falar desta coleccao -
 

 
Eu comprei esta coleccao no ebay 2 semanas atras.....estou a espera deles :bandeiraslb2:

lcferreira

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  • 12 de Agosto de 2009, 00:42
Como disse no "outro", do Rogerio Pipi só tenho mesmo a referencia de um tio meu dar o nome dele e do Julinho aos 2 filhos (meus primos) por ser fã nº1 deles.

O meu Pai ainda diz que era um avançado rápido e muito "fino"

Sinan

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Pipi Power! Imortal!

 :slb2:

Eagle Fly Free

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Estão doidos ? têm imagens do Rogério e nada me dizem ???  :tickedoff: 

lcferreira

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  • 12 de Agosto de 2009, 22:28
foi numa colecção creio que feita pelo Record aquando dos 100 anos do Benfica. A colecção tem um dvd para estrelas, uma para os estádios, outro para as finais da Taça dos Campeºoes, etc.

O ROgério é uma das estrelas do dvd "Estrelas" e aparece lá uma finta dele

Mas tens isso?

andre_04_SLB

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cwally

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  • 07 de Dezembro de 2009, 14:46
Muitos parabéns, GRANDE ROGÉRIO PIPI!!!!!!!! :pray: Mais um da galeria dos imortais do grande Sport Lisboa e Benfica!!!!!Fazes hoje 87 anos e desejo-te muitos anos de vida e saúde!!!!!!!!!! :flagglorioso: :flagglorioso: :flagglorioso: :flagglorioso: :flagglorioso: :slb2: :slb2: :slb2: :slb2: :slb2: :clap1: :clap1: :clap1: :clap1:

Ruislb82

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  • 07 de Dezembro de 2009, 16:03
Muitos Parabéns ao grande Rogério Pipi pelos seus 87 anos!!!
 
Que continue a contar muitos.
 
Glória Imortal do Benfica!!!  :slb2: :slb2: :slb2: :bow2: :bow2: :bow2: :slb2: :slb2: :slb2: