As Finanças do Benfica

yerlow

Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

Devia estar afixado 🙏

paulomaia1972

Citação de: ZilluX em 13 de Março de 2024, 21:12
Citação de: paulomaia1972 em 13 de Março de 2024, 21:09
Citação de: ZilluX em 13 de Março de 2024, 21:00
Citação de: paulomaia1972 em 13 de Março de 2024, 20:56
Citação de: ZilluX em 13 de Março de 2024, 20:54
Citação de: Velazquez em 13 de Março de 2024, 20:51
Citação de: ZilluX em 13 de Março de 2024, 20:34Tu e' Que parece nao percebes a diferenca entre o que e' e o que tu gostavas que fosse.

O Que e': temos deficit operational. Precisamos de vender. Como os nossos adversarios. Nao e' coincidencia.

O Que tu gostavas Que fosse: varinha magica(esta provado no post Que mesmo com Cortes dificeis de fazer, mesmo assim e' dificil chegar a superavit), ter superavit e nao precisar vender. Todos gostavam, mas fora populismos, parece ser dificil tanto que os deficits duram ha muitos anos em todos os clubes.

Parece tudo muito facil, mas nao e'.
Já expliquei atrás por duas vezes.Se precisam de dinheiro e por isso precisam de vender que vendam os jogadores que contrataram no inicio da época.Não é preciso perceber assim tanto de futebol muito menos de uma varinha mágica

Se não querem precisar de vender nas proximas épocas que não tornem a gastar tanto em algumas contratações

Percebi. Para ti e' tudo simples e claro. A evidência mostra que nenhum dos 3 grandes tem superávit em quase nenhum dos últimos 20/30 anos, mas tu explicas com irresponsabilidade, incompetência, criminalidade ou um misto dos tres.

Eu explico com um modelo de negócio que tem que ser repensado drasticamente.

Da muito trabalho e menos comissões. Por isso, nada para mudar.

Isso e' o argumento dos partidos populistas: prenda-se os criminosos e as contas ficam logo em ordem. Qual como no país, O problema e' mais profundo e complexo.

Meu caro, o nosso presidente não tem salário. O anterior não tinha salário.

Não digo que o problema não exista e que não precise de ser combatido, mas não e' significativo. O buraco são 120 milhões, mesmo que ponham ao bolso uns 5 milhões, explica pouco.

No tempo do Vieira lembraste de quantos negócios desnecessários? Renovações desnecessárias. Não seriam certamente 5M em comissões.

Redady2

Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.
Gostei de ler e vou guardar. Obrigado pela reflexão.

ÀguiaUnum

Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

Parabens pela exposição.

O problema e o motivo dos custos serem elevados, face ao que seria necessário, é andar gente a gravitar e a ganhar á conta do clube.
Enquanto assim for, a gestão coerente vai ser impossível. Daí as urnas terem ido na bagageira dos Yaris...

Glorificus

Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.
Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

O melhor comentário que vi em anos no SB.

Por favor, alguém leve isto a uma assembleia geral!

Está aqui a única maneira de ter um Benfica com o seu completo potêncial.

Avante

Citação de: ZilluX em 13 de Março de 2024, 19:21
Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

O post sobre a questao mais importante para quem quer pensar o modelo de gestao do Benfica e clubes portugueses e so tem 11 likes. Diz muito.

Olha, @Velazquez aqui esta a resposta Que queria dar quando escreveste que ter Que vender eram tretas.

Resumindo, temos custos operacionais em excesso das receitas operacionais. Precisamos de receitas extraordinarias com transferencia de jogadores.

Mais, os campeonatos big 5 pagam muito mais do Que nos. Qualquer jogador quer estar nos grandes palcos e com salarios a condizer.

A segunda questao respondida e': podemos passar para contas correntes equilibradas? A resposta do post e' cortar despesa. Pergunto, e' assim tao facil cortar no FSE? O Que contem? Cortar tanto nos salarios tambem nao parece assim tao facil.

A terceira pergunta importante que qq Benfiquista deveria reflectir e' qual o modelo de negocio Que deveremos ter. Acho que o post tem em mente um zidane e pavons tips de negocio. Com jogadores de classe media Que passem largos anos no clube Que por razoes contabilisticas ficam totalmente amortizados.

Nao sao questoes tao sexys como um golo, mas sao as questoes de fundo sobre o futuro do nosso clube.

O Benfica não precisava de renovar com Otamendi, de contratar o Di Maria com Neres no plantel, podia muito bem vender João Mario depois de uma época de sobre-rendimento, não precisava de gastar 30M€ um titular para o meio campo quando ja tinha Tino e Neves, podia ficar com Ristic invés de torrar 15M€ num panic buy depois de falhar o Kerkez, de não ir buscar a pressa o Cabral para substituir Ramos e apostar nos 2 trabalhadores Tengstedt e Musa + Henrique Araujo até arranjar uma oportunidade de mercado em Janeiro como foram o Marcos Leonardo ou Prestianni.

Apostar mais no Gouveia, no Tomas Araujo... Aproveitar e dar espaço aos que temos invés de contratar e coleccionarmos Alas e PL.

Tantos milhões marginais...

Mattamouros

Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

Mais uma boa leitura, obrigado pela desconstrução dos números e encaixe dos mesmos no nosso contexto e opções vigentes.

Vai de encontro ao que muitos sempre disseram por aqui, isto com pés e cabeça dava para aguentar a malta mais tempo, e nao ter de vender a correr à primeira oportunidade.

Pena que quem mande escolha não gerir assim.

Mas acima disso, o que me assusta é olhar para estes números e ver como o € da champions é fulcral.. Andamos sempre no fio da navalha..
Se ficamos de fora desta uns 2/3 anos, e consequentemente não teremos ninguém para vender por 100M e ajudar a tapar o buraco.. bom, melhor não pensar..

João_Oliveira

#86467
Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.




João_Oliveira

Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.
É um roubo, mas um roubo que nem os mais engenhosos dos ladroes conseguiriam fazer! Andam xulos a rondar o clube!
Há rubricas no relatório que tem de ser muito bem explicadas! O buraco da diferença entre rendimentos e gastos operacionais é vergonhoso! O clube está no seu pico de rendimentos e mesmo assim não chega!
Uma vergonha gastar balurdios a mais que os rivais em certas rubricas, que efetivamente não se justificam... e não me venham falar em manter a competividade, que eles gastam significativamente menos que nos, e são tão competitivos ou mais, e com menos rendimentos.
Enquanto houver dinheiro de champions, vendas, e boas outras receitas, os gastos vão continuar como estão e com tendência para aumentarem, porque sabem que dá... Se calha de começar haver falha... É melhor nem pensar... Aí é que certas rubricas vão começar a baixar muito como que por magia, como dizia o outro...
O problema é que já pode ser tarde...
É mais que possível não estar sempre no fio da navalha pra vender, e com isso reter mais talento.

Maldini

Citação de: João_Oliveira em 14 de Março de 2024, 02:20
Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.
É um roubo, mas um roubo que nem os mais engenhosos dos ladroes conseguiriam fazer! Andam xulos a rondar o clube!
Há rubricas no relatório que tem de ser muito bem explicadas! O buraco da diferença entre rendimentos e gastos operacionais é vergonhoso! O clube está no seu pico de rendimentos e mesmo assim não chega!
Uma vergonha gastar balurdios a mais que os rivais em certas rubricas, que efetivamente não se justificam... e não me venham falar em manter a competividade, que eles gastam significativamente menos que nos, e são tão competitivos ou mais, e com menos rendimentos.
Enquanto houver dinheiro de champions, vendas, e boas outras receitas, os gastos vão continuar como estão e com tendência para aumentarem, porque sabem que dá... Se calha de começar haver falha... É melhor nem pensar... Aí é que certas rubricas vão começar a baixar muito como que por magia, como dizia o outro...
O problema é que já pode ser tarde...
É mais que possível não estar sempre no fio da navalha pra vender, e com isso reter mais talento.


Discordo muita vez com algumas das opiniões que leio do DB, mas com esta tenho, porque é uma opinião correta, certeira, bem fundamentada e que pode deixar alguns de boca aberta ..


Agora era muito interessante que alguém conseguisse pegar nesses custos FSE e perceber a quem estamos a pagar e quem tem interesses nessas empresas ... Só para descargo de consciência

nikas

#86470
Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

Ah mas queres que alguém naquela estrumetura composta por Dragardos velhos e acabados tenham alguma visão?!?
Alguma vez aquela gente quer defender o clube?!?
E era tão simples dar a volta a isto...

Mas querem la eles saber, Banana Costa incluido se o Benfica aguenta 2, 3 ou 10 anos assim. Querem é encher a puta dos bolsos.

Deves queres um "gAjO dOs hAmbUrGaS" para gerir um clube de Futebol.

BENFIKA

Se há algo que o Benfica podia fazer para gerir melhor o seu dinheiro era ter uma identidade no futebol, um departamento a sério, ter equipas técnicas adequadas e com muita qualidade.

O que o Benfica faz é não ter qualquer projeto para o futebol nem nenhuma identidade. Hoje somos um equipa de Gegenpress, no próximo ano mais de posse, no seguinte mais calculistas, depois voltamos ao Gegenpress, etc.

Isto, juntamente com equipas técnicas novas todos os anos ou a cada dois, obriga a reformulações muito profundas do plantel, logo muitos milhões para gastar.

E é preciso também começar a acertar no mercado, este ano por exemplo foi um completo desastre!! Laterais foi a maior vergonha que me lembro e os restantes jogadores foram contratados sem ter em consideração a nossa forma de jogar, ou seja, nunca poderão mostrar o seu real valor.

No final da época se trocarmos de treinador vamos ter que ver se o novo conta com esses reforços, caso se mantenha o Schmidt serão para vender provavelmente.
E mesmo que venha novo treinador se calhar vem com uma filosofia de jogo diferente da do Schmidt, logo vai ser preciso construir um plantel para isso.

O Benfica é um clube muito mal gerido, por direções que não percebem NADA, mas mesmo NADA de futebol e de como gerir um clube!! Somos um clube liderado por gente que gosta da bola e gosta de aparecer, apenas e só.

Competência, há muito pouca.

rcoelho

Citação de: Glorificus em 13 de Março de 2024, 23:20Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

Daquelas heranças do vieirismo que ninguém quer mexer porque há muita gente lá dentro a encher-se..... muito se falou disto e destes aumentos de despesa ao longo dos ultimos 20 anos.....

Rigor com as despesas só será possivel com a mudança total de elenco, não basta mudar o Ali Baba e manter os 40 ladrões....

Avante

#86473
Citação de: DB4700 em 13 de Março de 2024, 13:16O Benfica pode ou não pode recusar 100 milhões por um jogador? A matemática diz que pode. Não sempre, mas algumas vezes. Eis porquê:

A primeira parte a entender disto é que o Benfica é um clube vendedor e enquanto nada mudar a nível estrutural no futebol europeu (uma Superliga Europeia com tecto salarial mas também "chão" salarial por exemplo) vai sempre ser um clube vendedor.

Vai sempre ser um clube vendedor, porque lá foram pagam-se mais salários do que aqui, e tem-se outro tipo de ambições nas provas europeias. É o que é.

Posto isto, ser um clube vendedor é diferente de ser um clube que está obrigado a vender todos os anos. E neste momento, o Benfica é um clube que está obrigado a vender todos os anos. Essa é a primeira questão.

1. Porque é que o Benfica está neste momento obrigado a vender todos os anos?

O maior registo de sempre do Benfica a nível de receitas operacionais (venda de bilhetes, transmissões televisivas, prémios UEFA, patrocinadores) foi em 2022/23: 196 milhões. Esse foi o nosso máximo histórico. Este anos vai andar qualquer coisa à volta dos 170 milhões (se formos mais longe na Liga Europa, os números serão um pouco melhores).

Isto é bom. Na verdade é muito bom. Mas há o outro lado da moeda. E é esse lado que nos põe numa posição onde estamos obrigados a vender. É que no ano passado o Benfica gastou 206 milhões em salários, fornecimentos e serviços externos e outros custos correntes. Este ano, a julgar por aquilo que gastámos no primeiro semestre, vamos gastar à volta de 221 milhões.

Ou seja, mesmo no melhor de todos os anos, com quartos de final da Champions, só uma derrota (relembro que cada empate e vitória dão dinheiro), o maior patrocinador do futebol português, o maior negócio de TV do futebol português, o Benfica está obrigado a vender porque gasta mais do que produz (e ainda nem fomos aos custos com juros).

Somando a isto, os custos com juros, que na época passada foram ao todo 12 milhões, este ano deverão ser 16, estamos a falar de um buraco de cerca de 67 milhões que tem que ser tapado só com dinheiro que se gasta mais do que aquilo que se produz.

Para além disto, ainda temos que somar as amortizações, que são na verdade um reflexo daquilo que se gastou com reforços. E aí estão mais 56 milhões por ano. Ou seja, o Benfica este ano, sabendo que ia gastar o que gastou, começou a época com 123 milhões de euros em prejuízo. E para atenuar isso, vendeu o Gonçalo Ramos (que como só tinha 2 anos de contrato, ia sempre vender).

Este nível de custos, explica-nos porque é que estamos todos os anos obrigados a vender. Todos os anos somos um barco com um buraco a meter água. E em vez de remendar o buraco, vendemos jogadores que é a nossa maneira de tirar a água do barco.

Chegamos então à segunda pergunta.

2. É possível o Benfica não estar numa situação em que todos os anos começa com 120+ milhões de prejuízo? E a resposta é óbvia: sim, é.

A primeira mais óbvia de toda, é que o Benfica não precisa de gastar 88 milhões em fornecimentos e serviços externos, como o relatório do primeiro semestre indica que se vai gastar na época de 23/24. O Sporting vai gastar cerca de 40. O Porto vai gastar 58 milhões. Vamos assumir que o Benfica gasta valores semelhantes ao Porto (que mesmo assim já são altos para o que o Benfica produz). Só aí está uma poupança de 30 milhões por ano.

A segunda é que a UEFA recomenda aos clubes gastar no máximo 70% das suas receitas operacionais em salários dos jogadores. O Benfica gasta cerca de 83% da média de receitas operacionais dos últimos 5 anos e 73% do que estima fazer este ano. O limite máximo não é o número ideal, aliás, até 2019, o Benfica nunca passava dos 60%. Aí estão mais 22 milhões que se gasta acima do que é suposto.

Só nestas duas correções, estamos de imediato a falar de 52 milhões poupados. Esses 52 milhões podem, e devem, ser redirecionados para um fundo de poupança, de maneira a que o clube não esteja a aumentar os valores de dívida mas sim a baixá-los. E em vez de ver os juros que paga a aumentarem de 12 para 16 milhões, pode vê-los a baixar de 12 para 10 e depois de 10 para 9. Assim sucessivamente.

Num espaço de alguns anos, o buraco de 120+ milhões, já estaria nos 60+ milhões. 60 milhões esses que na verdade são quase na totalidade amortizações do plantel. Ou seja, é apenas um reflexo do mercado. Vendemos um jogador, investimos em dois ou três, e estamos sempre neutros.

Operacionalmente, com estas três reduções (custos com salários, custos com FSEs, custos com juros) a SAD estaria neutra (gasta o que produz e não mais) ou até ligeiramente positiva.

Mas também sobre as amortizações é possível fazer alguma coisa. Logo, em quarto lugar, o Benfica não precisa de mudar 85% do elenco do plantel num espaço de um ano (que foi o que fez entre 2023 e 2024). Ao fazê-lo o que gastou no plantel vai obviamente aumentar, e isso faz as amortizações explodir. O Benfica, e qualquer outro clube a nível mundial vive de ter jogadores que estão no clube 8-10 anos, e complementar os 18º-24º lugares no plantel com jogadores da formação. Com o financial fair play ter 16 ou 17 jogadores a custar milhões em amortizações é impossível. Seja o Benfica, seja o Real Madrid. O Benfica tem vários jogadores da formação (que amortizam zero). Mas quase todos os outros jogadores estão no primeiro contrato e a contar milhões para as amortizações. Se mais jogadores chegarem ao segundo contrato e ficarem 6-10 anos no clube, isto vai naturalmente baixar.

E em quinto lugar, o Benfica tem que ser muito mais cirúrgico nas contratações. Não é uma grande ciência dizer isto. Sete dos nove pontas de lança mais caros do futebol português foram reforços do Benfica. Seis foram reforços do Benfica nas últimas cinco épocas. O Benfica acabou de gastar 14 milhões num defesa esquerdo, o lateral (esquerdo ou direito) mais caro da história do futebol português e depois de 565 minutos de jogo, emprestou-o. Também é verdade que o Benfica contratou por 16 milhões um médio centro que seis meses depois vendeu por 121. É o negócio do futebol. Umas vezes acertamos e somos os maiores. Outras vezes falhamos e não somos os maiores. Mas quando se falha mais do que se acerta, mesmo que quando se acerta são grandes homeruns (Enzo, Darwin), não é bom o suficiente.

Conclusão: o Benfica vai sempre vender. Porque lá fora pagam-se mais salários do que cá. Mas o Benfica põe-se numa posição, todos os anos, onde tem que vender para pagar as suas despesas correntes. Põe-se nessa situação porque gasta mesmo muito dinheiro, e alguns desses gastos não são explicados o suficiente nos R&Cs, nem são muito óbvios. O Benfica sendo gerido de uma forma mais responsável deixaria rapidamente de estar dependente de ter que vender todos os anos. Pode fazer uma venda grande a cada dois anos, ou duas grandes vendas a cada três anos. Mas não tem que vender todos os anos, porque com uma gestão eficiente, o Benfica é na mesma o clube que mais e melhores salários paga em Portugal, e isso por si só já é uma vantagem suficiente.

Sim, era possível, com a devida gestão, recusar 100 milhões pelo João Neves. Era possível o Benfica ter aumentado a cláusula do João Neves para 150 milhões em vez de 120 no verão, quando lhe renovou contrato só para corrigir o salário e cláusula, sem acrescentar qualquer ano no contrato. Agora com uma cláusula de 120 milhões - que não é uma cláusula banal mas já foi batida mais vezes do que uma cláusula de 150 - algum bilionário chega cá, paga a cláusula e não há grande coisa a fazer. Falhámos na prevensão. O Benfica pode colocar cláusulas de 200 milhões e depois negociar e decidir quando é que quer vender por 80-100-120. Não temos que estar obrigados pela cláusula.

Por último: Não vos chateia que ao mesmo tempo que o Benfica está a vender o João Neves por 120 milhões, está a gastar 88 milhões (88!) a tratar a relva, nos seguranças, nas viagens, nos hóteis, na comida, na água, etc, enquanto os rivais gastam 40-58 milhões? Não? A mim chateia-me solenemente. Eu preferia ter o João Neves em campo mais um ano e não ter todos os reforços a chegar de jacto privado.

O Benfica vai sempre ser um clube vendedor. Mas não tem que ser um clube que está obrigado a vender. É isso que é fundamental que os seus sócios e adeptos percebam.

Acho os FSE uma roubalheira do caraças, e até acho que os 40 e 58M€ dos rivais dão a comer a muita gente...

Acredito que uma gestão "inocente" no Benfica faria baixar os FSE abaixo dos 50M€... E nós rivais ainda menos.

Mas estes FSE não servirá aos clubes PT para compensar os salários mais baixos dos jogadores, com imensos serviços prestados?
O Taarabt bem disse que no Benfica, os jogadores eram tratados como reis e acredito que parte destes FSE seja para estes perks
E óbvio que há um aproveitamento nesta rubrica, mas não acho má ideia este tipo de gestão a priori, tem e que ser bem controlada e não dar lugar a retrocomissões.

Il trattore

Nos FSE seria interessante de se saber porque não se renovou o contrato com Prosegur que estava nas nossas instalações aos anos para a PM do nosso querido Paulo Magalhães, e porque desde o dia 1 os custos aumentaram drasticamente. Seria também interessante de se saber se empresa de manutenção para a qual foi o nosso querido Miguel Moreira (depois de ser "despedido") quanto mama ao ano e se desde que ele foi para lá os custos aumentaram. Ficaria muito admirado se as outras empresas, de catering e afins, não tivessem muita gente ligada ao Benfica a mamar por fora, juro que ficaria.

PS: vejam o Twitter do tal pulha, o gajo que andava a expor os contratos do Benfica na NET e que a direção fez questão de saber quem era, a história do PM está lá e é engraçada.