Rogério Pipi

Avançado, (1922-12-07 - 2019-12-08),
Portugal
Equipa Principal: 12 épocas (1942-1954), 311 jogos (27990 minutos), 205 golos

Títulos: Campeonato Nacional (3), Taça de Portugal (6), Taça Latina (1)

Zlatan

Rogério Lantres de Carvalho. Lisboa. 7 de Dezembro de 1922. Avançado.
Épocas no Benfica: 12 (42/54). Jogos: 310. Golos: 207. Títulos: 3 (Campeonato Nacional), 6 (Taça de Portugal) e 1 (Taça Latina).
Outros clubes: Chelas, Botafogo e Oriental. Internacionalizações: 15.



Só tem menos 20 anos que o Benfica. Embeiçou pelo clube na infância, vestiu-lhe a camisola, deu-lhe glórias. Hoje, são recordações. Recordações de quem era conhecido por ter pés inteligentes, que faziam coisas incríveis com a bola. Espécie de antítese do jogador prosaico, cultivava a diferença. À custa de fintas prodigiosas, assistências perfeitas, finalizações requintadas. Era o Pipi, Rogério Pipi, elegante e aprumado, dentro... e fora do campo.

Nasceu em Chelas, a 7 de Dezembro de 1922, no mesmo ano em que da sua Lisboa partiu o hidroavião "Lusitânia" pilotado por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, viajando entre Portugal e o Brasil. O pai havia sido fundador do Chelas, enquanto o irmão, Armindo França, um dos melhores atletas do clube, mais tarde Oriental, após se ter fundido com outra agremiação desportiva. Por isso, no Chelas começou a jogar, convivendo mal com o peso do parentesco, mesmo que reminiscente estivesse a paixão pueril pela bola.

Chegou ao 4º ano na Escola Afonso Domingues, que abandonou para trabalhar no Grémio das Carnes. Num jogo entre solteiros e casados, apitado por Fernando Peyroteo, deslumbrou de tal forma que o seu companheiro de profissão e mais tarde grande glória sportinguista o quis levar para o clube do Visconde de Alvalade. Ainda treinou no Sporting, mas o ambiente não o cativou, nem sequer a proposta de 25 notas para que de verde trajasse. Um conto de réis mais ofereceria o Benfica e o acordo acabou por ser selado.

Estreou-se com o Belenenses, nas Salésias, como extremo-direito. Mas foi sol de pouca dura, já que Janos Biri acabou por fixá-lo no lado canhoto. Ele que até preferia jogar como interior. "Teria sido melhor para mim e para o Benfica, decerto até com uma carreira mais prolongada". Que é como quem diz, menos sujeita às porradas de alguns ferrabrás, na altura proliferantes no posto de lateral-direito.

Tal como na literatura, também o futebol passou, nos anos 50, da fase romântica para um estádio de maior realismo. Seja como for, Rogério desceu os últimos degraus do "amor à camisola". E disso se ufana mesmo. "Por exemplo, em 1945, por nos sagrarmos campeões recebemos um prémio de 500 escudos. Pareceu-nos uma fortuna, porque, naquela altura, o ordenado mensal de um craque andava pelos mil escudos. Ninguém podia viver só do futebol. Eu jogava e trabalhava como Peyroteo no Grémio das Carnes. O Espírito Santo, o Jesus Correia e o Canário trabalhavam no Grémio das Mercearias". Era a fase agonizante do futebol romântico. Agonizante, mas bela.



A primeira época no Benfica foi inesquecível. Ao lado de alguns dos seus ídolos, daqueles cujos cromos saiam nos rebuçados, contraditoriamente, a menos de um tostão cada qual, casos de Albino, Gaspar Pinto e Francisco Ferreira, logo a equipa garantiu a primeira e histórica dobradinha, vencendo o Campeonato e a Taça de Portugal. Foi em 42/43. Dois anos volvidos, novo triunfo no Nacional.

Seguiu-se um período penoso para o colectivo benfiquista, consubstanciado numa longa abstinência. Um titulo para o Belenenses e três consecutivos para o Sporting perturbaram as hostes e apelaram à retoma. Foi nesse período, corria o ano de 1947, que Rogério viveu a sua primeira e única experiência internacional, coisa virgem na altura. Ingressou no Botafogo. "No Brasil recebia cerca de 18 contos por mês. Pude mesmo comprar um automóvel, no regresso, que era, então, o sonho de qualquer jogador de futebol". Não se deu bem, já casado e à espera de um rebento. Voltou ao Benfica, que o cacau não estava à cabeça das suas prioridades.

Na dobragem da década, deu-se a primeira afirmação internacional do clube da águia. A época de 49/50 fez regressar a equipa ao topo caseiro, com a vitória no Nacional, mas também conquistar a Taça Latina ao Bordéus (2-1, após dois prolongamentos). "Quando o jogo acabou ficou tudo... louco. Só sei que entre empurrões, voando sobre os ombros dos benfiquistas em grande histeria, cheguei à tribuna. O presidente da República pôs-me a taça nas mãos. Ainda hoje não consigo descrever o que senti". Talvez a pré-história do Benfica europeu.



Numa dúzia de anos vermelhos, Rogério foi 15 vezes internacional. Venceu três Campeonatos e seis Taças. Tinha, de resto, uma especial apetência para a prova-rainha do futebol indígena. Jogou e marcou em todas as finais. Ainda hoje, é o melhor a concretizar, mercê de 15 golos, alguns dos quais ainda lembrados pelo seu carácter decisório.

O maior jogador português do inicio dos anos 50 indemne tem passado ao longo dos anos. Mais que legenda é lenda. Que a nação benfiquista tem sabido proteger ou não se tratasse de alguém que inventou o futuro.




Tópico: Memorial Benfica, Glórias
Autor: Ednilson
Link: http://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.180

Darkboy

Estive a reler a pesquisa do Record por ocasião do centenário do Benfica. Este (grande) senhor foi o único notável - entre 100 - a deixar o Eusébio de fora do seu 11 ideal.

José Águas e Arsénio, foram essas as suas escolhas. Fica a curiosidade.

André Sousa

«Pipi» em lua de mel no Botafogo do Rio de Janeiro

Em 1947 Rogério recebeu um convite inesperado: o Botafogo do Rio de Janeiro pretendia-o nas suas fileiras. Ofereceram-lhe 40 contos de luvas e um ordenado de 5000 cruzeiros. Pediu o dobro. Os cariocas cederam e ainda se disponibilizaram a pagar 100 contos ao Benfica pela desvinculação. Antecipou em dois meses o seu casamento e a viagem para o Rio foi, assim, também de núpcias. Era a primeira grande transferência do futebol português.

No entanto o sonho durou pouco. Ao fim de cinco meses, com a mulher grávida e ensarilhado em problemas com o dr. Heleno - jogador que se empertigava demasiado para o feitio do português - pediu rescisão do seu contrato e regressou a Portugal. A DGD obrigou-o a ficar no Benfica. Ficou.

Começara a jogar futebol no Chelas. Peyroteo, seu companheiro de trabalho no Grémio das Carnes, quis levá-lo para o Sporting, os seus dirigentes ofereceram 25 contos pelo passe. O Benfica acabou por ganhar a corrida oferecendo mais um: 16 para o jogador, 10 para o clube.

Cedo ganhou fama de jogador elegante, «rapaz da moda, com casacos cintados e colarinhos altos». Por isso lhe chamavam «Pipi». Por isso, e pelo seu jeito de goleador, se tornou figura de proa no Benfica, nos finais dos anos 40. Quando deslumbrava a música dos «violinos»...

Universo Benfica

Faz hoje 91 anos.

Parabéns!!!

BlankFile


Chelas


Zlatan

O senhor das finais. Só lhe faltou vencer a Taça dos Campeões Europeus.

Muitos parabéns.

Shoky

Parabéns enorme Rogério...espero que conte muitos mais.
Perdoe o patético Benfica de ontem pela prenda envenenada.

Dudek

Parabéns! Grande Pipi  :)

ncrnd


Mestre30


brazio

Que contes muitos!

Parabéns Imortal.

ElPibe_SLB


Manpaz1904


força Benfica