Decifrando imagens do passado

Ned Kelly

Isto merecia um livro!

Não estou a brincar, se até o Ricardo "Júlio" Serrado escreve um livro a mandar pontapés na memória de grandes Homens, uma prosa desta com bases sólidas, bem escrita e documentada era bem mais merecedora de ter outro suporte mais eterno. Sem desprimor para o fórum, que é um excelente lugar de partilha e divulgação.

Só te posso agradecer por partilhares com todos estas investigações que dão enorme prazer a ler e a descobrir. A identificação das pessoas nas fotos e, antes disso, descobrir este material e com tão boa qualidade para mim estão no top destes posts!

RedVC

Citação de: Ned Kelly em 23 de Junho de 2016, 14:52
Isto merecia um livro!

Não estou a brincar, se até o Ricardo "Júlio" Serrado escreve um livro a mandar pontapés na memória de grandes Homens, uma prosa desta com bases sólidas, bem escrita e documentada era bem mais merecedora de ter outro suporte mais eterno. Sem desprimor para o fórum, que é um excelente lugar de partilha e divulgação.

Só te posso agradecer por partilhares com todos estas investigações que dão enorme prazer a ler e a descobrir. A identificação das pessoas nas fotos e, antes disso, descobrir este material e com tão boa qualidade para mim estão no top destes posts!


Bem... Ned antes de tudo muito obrigado pelas tuas palavras. Fico muito feliz por apreciares.

Eu estou consciente que face à oferta que está por aí editado existem algumas oportunidades para se publicar algum deste material. Teria de ser reescrito para melhorar a qualidade e para me certificar de alguns (penso que poucos) detalhes. Mas existem algumas fragilidades.

A primeira é o mercado.
Não sei se o mercado do livro em Portugal que está ligado ao desporto permite sustentar este tipo de livro. Mesmo aqui o pessoal que lê este e outro material do passado é uma minoria. Nada de mal disso, cada um tem os seus gostos e encontra a sua forma de amar e partilhar o seu sentimento de Ser Benfiquista.

A segunda é a natureza desse eventual livro.
Passaria sempre por incluir uma profusão de fotografias uma vez que o conceito assenta em imagens. Acho que não ficaria barato. Parte do que eu faço em meu modesto entender é valorizar fotografias que estão disponíveis na net. A larga maioria delas não está devidamente legendada, por vezes com ausência completa de legenda, outras vezes com legenda incompleta, outras com legenda completamente errada. No final (acredito eu) ganham todos.

O propósito não é comercial. Longe disso. É apenas de partilhar com outros Benfiquistas. A grandeza do nosso Clube assenta no seu passado e no seu presente. Gosto de pensar que o sentimento de unidade e de amor pelo Clube - penso eu - sai reforçado com este material.

Não tenho dúvida que para lá do sentimento se olharmos para os factos de forma racional percebemos que de longe e de forma consistente o SL Benfica é o maior Clube de Portugal. Mas como recentemente se viu com as rábulas que vieram na comunicação social é preciso estar atento e provar isso. Os aldrabões com outras cores são mais do que muitos.

Temos hoje uma rara oportunidade que os que nos precederam não tinham. O material na internet está disponível para pesquisa. É fundamental aceder a esse material. É fundamental relacionar. É necessário trocar opiniões. É decisivo ser sério e assentar as "decifragens" em material inquestionável e respeitar as fontes. E quando digo respeitar passa tanto por as confirmar como desmentir as fontes. Sempre com evidências. Sempre com fontes devidamente creditadas. Sem protagonismos ou vaidades e muito menos de forma preguiçosa e com mentiras repetidas. Não sou historiador profissional apenas me desenrasco mas percebo o que é o rigor e a seriedade. Se na minha vida profissional eu tivesse a "seriedade" e o "rigor" que estão na base de algumas coisas como as que eu já vi publicadas então já teria de ter mudado de profissão.

Eu gostaria que mais Benfiquistas lessem este e outro material. Gostaria que outros fizessem trabalho similar ou melhor. Felizmente aqui no SB há gente de qualidade que trabalha nisso. Quando consultamos diversos tópicos percebemos que há muito outro pessoal que investiga outros assuntos investindo muito do seu tempo livre para fazer levantamento de resultados desportivos, gravar, editar e partilhar vídeos, localizar fotografias recentes e passadas, etc. Há pessoal aqui que eu aprecio por isso e por partilhar o seu trabalho.

O Benfica é o maior por causa da sua massa associativa e dos seus simpatizantes. Cada um deve fazer a sua parte, no estádio, nos pavilhões, em sua casa, onde quer que seja.

Ned Kelly

Concordo com o que escreves, mas nem me passou pela cabeça que o livro tivesse intuito comercial. Era mais um meio de dar a conhecer a mais gente, quiçá até com a chancela do Benfica (embora aqui também duvide da exequibilidade de tal, pois infelizmente o Benfica põe a chancela de produto oficial a muita porcaria escrita, mas vendável e provavelmente veria um projecto assim com pouco potencial comercial).

De facto, o público alvo de tal obra seria sempre reduzido, o que é pena. Porque eu acho que falta muito conhecimento de Benfica aos benfiquistas e se é certo que a internet democratizou o acesso a material que doutra forma seria menos acessível, também acentuou o facilitismo de se ficar pelas primeiras impressões, pelas análises superficiais. E é nessa água pantanosa que o trinca bolotas navega, com a história do campeonato de Portugal, por exemplo.

Eu no passado gastei (investi) muitos dias de férias e sábados fechado em bibliotecas, a historiar o desporto nacional, com os resultados de todas as modalidaes, em âmbito nacional e regional. Na altura também cheguei à conclusão que a tradução daquele material em livro, aí com o intuito de me financiar para fazer ainda mais investigação e dedicar-me uns anos a colocar rigor em muita informação dispersa e por vezes nebulosa (porque chega a nós via jornais, com erros, imprecisões ou nem chega, pois há lacunas), seria completamente inviável. Por isso quando olho para o que o Miguéns faz, tiro-lhe o chapéu porque ele dedicou-se ao Benfica como um hobby devorador de tempo e tem um detalhe e rigor que estão completamente desajustados dos dias que correm. E olho para o que tu trazes aqui e vejo o mesmo rigor, a mesma procura incessante por validar informação, por questionar e para no final, partilhar isto tudo e contribuir para construir a nossa História. E tenho pena se ficar só por aqui.

E sim, felizmente o nosso fórum tem muita gente ainda assim a colectar informação sobre o clube e que o faz com voluntarismo e seriedade.


RedVC

#453
Repara Ned, o livro é um suporte alternativo. Fabricar um livro tem custos e isso obviamente terá de ser medido em função desses custos e do lucro potencial. Não acredito em outro cenário. Não conheço bem o mercado de editores livreiros em Portugal mas duvido que considerassem que um produto como este fosse economicamente viável. 

Quanto à possibilidade de ser o Clube a interessar-se por isso, acho realisticamente que isso nunca aconteceria. Não há sensibilidade para isso. Nem sequer o parecem ter para a fascinante possibilidade da história do Clube por Alberto Miguéns. Por exemplo um livro que me entusiasmou ao início foi o "Amor à camisola". Fiquei decepcionado. O critério de escolha dos jogadores representados pelas fotografias foi absurdo. A qualidade das fotografias foi baixa. O que isso quer dizer? Falta de cuidado. Algum desconhecimento. E esbarramos sempre aí. Desconhecimento. Superficialidade como muito bem mencionaste.

Falaste igualmente de Alberto Miguéns que para mim é uma figura superlativa do Clube pelos anos que leva, por aquilo que dá ao universo Benfiquista e pela sua personalidade. Ele próprio tem experiências negativas inclusivamente no sector livreiro. Algumas dessas experiências têm vindo a ser reveladas por ele. E algumas vieram de onde menos se poderia esperar.

Não tendo um livro temos este recurso fabuloso que é o fórum. Estou muito contente com esta opção. Embora não descarte um blogue no futuro este fórum é um local privilegiado para este material. Neste fórum por trás daquilo que algum pessoal considera adquirido (como se ele resultasse do ar que respiramos ou da água que bebemos) há o trabalho incansável de outros Benfiquistas como nós. Já foram aos sites da concorrência? Mas algum dia se comparam com o que o SB nos proporciona? O SB é mais uma das medidas da excelência do SL Benfica e dos Benfiquistas. Por isso o que nós investigamos, formatamos, e partilhamos está bem aqui. É fácil para quem quiser guardar esta e outra informação, coloca-la numa "word" e gerar um pdf. Os que quiseram podem inclusivamente imprimir. Veja-se a obra sobre a História do Benfica que Alberto Miguéns já começou a fazer e partilhar. Notável.

O SL Benfica é uma paixão de menino que nos acompanhará até ao túmulo. Ser Benfiquista não é nenhum sentimento alucinado, vingativo, invejoso ou rancoroso. Quem é Benfiquista percebe a paixão sentida por outros Benfiquistas. Amamos o nosso Clube, as suas cores, símbolos e os valores que ele defende. Somos parte do processo tal como eram os que nos precederam.

Os Benfiquistas são todos diferentes e mostram essas diferenças na manifestação do seu apoio ao Clube. Mas uma coisa é comum: o amor ao Clube. O Clube está acima de todos, o Clube é consensual e eterno. Os homens pela sua própria natureza, são transitórios. E é assim, assente nessa ideia central e na paixão que não se explica mas que se sente que se entendem as longas horas roubadas à família que passamos numa biblioteca ou em frente a um computador.

Em resumo, não estou muito preocupado com o formato. É claro que gostaria de ver um livro mas a vaidade pessoal se é que a tenho satisfaz-se totalmente quando vejo este material a ser lido por pessoas como tu. Quando vejo outros a fazer trabalho similar como tu. Imagino o que deve ser fazer levantamento exaustivo dos resultados do Clube. Acho que não tinha coragem. Como nós houve no passado muitos que nos precederam (infelizmente só a partir da década de 20). Como nós muitos outros virão no futuro. Em formas mais ou menos criativas mas sempre com a mesma paixão.

RedVC

#454
-110-
Acidente no Cartaxo (parte I)

5 de Novembro De 1933, Hospital de Santa Cruz no Cartaxo. Uma imagem de dor e tristeza.


5 Novembro 1933. Vítimas de um acidente no Cartaxo. Fonte: digitarq.


Sete homens todos de semblante carregado. Um deles visivelmente ferido. A legenda original da fotografia indica que estes homens (ou alguns deles; não está especificado) foram vítimas de um acidente ocorrido no Cartaxo em 5-11-1933. Não são dados outros detalhes. Nesta fotografia estão identificados: Jorge Tavares, Mário Pinha Torres, Vítor Hugo Tavares (ferido), Ernesto de Figueiredo, Manuel Serzedelo Fernandes, Carlos Torres.



Hospital de Santa Cruz no Cartaxo na década de 30. Fonte: delcampe.


Víctor Hugo estava visivelmente ferido. Os restantes aparentemente terão ido dar apoio. Do acidente não sei muito mais. Terei de encontrar uma fonte da época mas não está a ser fácil.

Mas vamos aproveitar a oportunidade para falar de alguns destes Benfiquistas. Isto porque para lá do drama deste episódio, o aspecto positivo é que esta fotografia fixou para sempre a imagem de diversos jogadores do Glorioso na década de 20 e 30.

Olhando, decifrando, podemos perceber que na primeira linha da imagem estão de facto presentes pelo menos quatro futebolistas do Glorioso da década de 20 e 30: Jorge Tavares, Víctor Hugo Tavares, Manuel Serzedelo Fernandes e Carlos Torres. Os restantes poderão também ter estado ligados ao Sport Lisboa e Benfica.

Vamos por partes. Para começar vamos falar dos irmãos Tavares.



Víctor Hugo Tavares foi centrocampista, jogador raçudo, tendo chegado a internacional pela Selecção militar. Jogou 10 épocas (1921/22 - 1930/31) de águia ao peito tendo chegado ao posto de capitão de equipa. Estreou-se no Benfica a 15 de Janeiro de 1922 num jogo do Campeonato de Lisboa contra o Império Lisboa Clube que acabou numa derrota por 1-2. A nossa equipa era na altura treinada por Cosme Damião e assim continuaria por mais quatro anos.

Ao que dizem as crónicas, a derrota nesse primeiro jogo foi talvez devida ao cansaço da equipa Benfica que se terá ressentido de uma deslocação a Sevilha, deslocação que aliás não foi muito bem-sucedida. Talvez por isso, e pela escassez de opções para esse jogo, Cosme foi buscar Carlos Homem de Figueiredo, um dos seus antigos companheiros. Nesse jogo Carlos Homem de Figueiredo jogou na defesa ao lado de José Bentes Pimenta, o ilustre Tenente aviador de quem aqui já falamos (ver 71-73 – "O Cruzeiro Aéreo às Colónias"). É caso para dizer que Víctor Hugo teve ilustres padrinhos no dia da sua estreia com o manto sagrado.

Apesar de não estar indicado na lista oficial de internacionais da FPF (http://www.maisfutebol.iol.pt/geral/selecao/lista-completa-dos-internacionais-portugueses), Víctor Hugo Tavares disputou alguns Lisboa – Madrid em categorias militares.



16 de Março de 1928. Selecção militar Portuguesa de partida na Estação do Rossio. Identificam-se diversos jogadores do Benfica: Víctor Hugo Tavares, Tamanqueiro e Vítor Silva. Fonte: digitarq.



7 de Janeiro de 1926, jogo de preparação para a Selecção Nacional contra um misto dejogadores de diversos clubes. Identificam-se diversos jogadores do Benfica jogando quer na selecção (camisola uniforme) quer no misto de jogadores (camisola listada) reunido para o jogo-treino. Víctor Hugo Tavares jogou nesta última equipa. Fonte: digitarq.



Víctor Hugo eleva-se no ar com estilo, defendendo a sua baliza. Ao seu lado José Simões. Jogo disputado no campo das Amoreiras em meados de 1927 contra o Carcavelinhos. Fonte: Boletim oficial do Sport Lisboa e Benfica; Hemeroteca de Lisboa.


No termo da temporada de 1926-1927, com toda a sua competência técnica, António Ribeiro dos Reis, fez um balanço da época. Das características e prestações de Victor Hugo disse aquele grande Benfiquista:

"Tipo de médio trabalhador, accrocheur, que defende o seu campo palmo a palmo, nunca desistindo de incomodar os adversários. Joga muito em força, despendendo generosamente a sua energia. Dribbling pouco fácil e por isso mesmo fatigante. Excelente lançamentos de bola em jogo, quasi nunca convenientemente aproveitados pelos homens da frente. Muito perigoso na marcação dos castigos, pelo seu forte shoot. Foi um dos melhores sustentáculos durante toda a época".

O último jogo de Victor Hugo com o manto sagrado terá sido no dia 23 de Novembro de 1930. Jogo para o Campeonato de Lisboa em que o SL Benfica recebeu e empatou com o União Lisboa (1-1). Era treinado pelo Inglês Arthur John. Nesse jogo de despedida Víctor Hugo jogou à frente do seu irmão Jorge, um antigo e prestigiado avançado que entretanto com o avançar da idade e a chegada de Vítor Silva, já tinha recuado para defesa central. Víctor Hugo Tavares jogou também ao lado de Eugénio Salvador que mais tarde faria longa e brilhante carreira no teatro de revista.

Uma última e muito destacada contribuição de Vítor Hugo. Em 1943 foi um dos Benfiquistas que fundou o Sport Lisboa e Saudade. Um entre outros Benfiquistas ilustres tais como Vítor Silva, Amaro e Gustavo Teixeira.




O irmão de Víctor Hugo foi um prestigiado avançado com um remate fácil e forte. Jogou 11 épocas (1923/24 - 1933/34) de águia ao peito. Tal como o irmão foi ainda treinado por Cosme Damião, estreando-se no dia 19 de Outubro de 1924 numa derrota contra o Belenenses por 1-2, jogo disputado no Stadium do Lumiar, campo do SCP.

Chegou a internacional A, tendo feito parte da selecção olímpica que brilhou nos Jogos de Olímpicos de Amesterdão em 1928. Apesar disso acabou por não se estrear em jogo uma vez que à sua frente estavam nomes como Pepe, Vítor Silva e Martins, entre outros.

Nesse tempo Jorge Tavares estava tapado por grandes jogadores que marcaram uma época. Seria internacional A pelo menos por 3 vezes embora tenha estado presente como suplente em bastantes mais jogos. Distinguiu-se primeiro como avançado centro. Seria depois acometido de uma grave doença que lhe comprometeu seriamente a época de 1926-1927.


Equipa Nacional no final da década de 20. Jorge Tavares (gabardina) foi suplente. Estiveram presentes mais cinco Benfiquistas. Destaque também para os grandes Pepe e Carlos Alves, avô de João Alves e o primeiro "luvas pretas". Fonte: digitarq



Outra imagem de Jorge Tavares agora como titular num jogo em 1929 contra a Espanha. Fonte: digitarq.



Uma imagem de uma selecção militar de 1928, alinhada antes de um jogo treino nas Amoreiras contra o Benfica. Essa equipa nacional integrou dois jogadores Benfiquistas, Jorge Tavares e o Tamanqueiro. Saliência também para Roquete e Carlos Alves. Ali ao lado, sentado no chão um jogador Benfiquista (oponente do treino) observa. Quem seria? Fonte: digitarq.


De Jorge Tavares e ainda sobre a temporada de 1926-1927 disse Ribeiro dos Reis:

"Gravemente doente no início da época perdeu grande parte d'aquelas qualidades que na época transacta o tinham imposto de forma indiscutível. Pacientemente e com uma regularidade por nenhum outro excedido; seguiu todos os treinos semanais à medida que foi melhorando nas exibições fornecidas. Atravessou toda a época com pouca ou nenhuma chance a atirar ao "goal". Sendo avançado centro a equipa, em condições excepcionais, portanto para ser o scorer do grupo não conseguiu marcar "goals" durante todo o campeonato de Lisboa. Reabilitou-se depois no campeonato de Portugal. As exibições fornecidas contra o Carcavelinhos e Belenenses reconduziram ao posto de avanço centro do team nacional. Duro, batalhador, boa corrida, shoot fácil com qualquer dos pés. Novo ainda, tem condições para se impor sobretudo desde que se poupe mais e leve uma vida mais regrada.

E seria no final dessa época que chegaria o genial Vítor Silva, o primeiro jogador por quem o SL Benfica pagou uma (choruda) verba para uma transferência. Com essa chegada tudo mudou no futebol do Benfica e inevitavelmente Jorge Tavares acabou por recuar no terreno de jogo, tendo em muitos desafios tido óptimas prestações como distribuidor de jogo.


Jorge Tavares fez o seu último jogo no Sport Lisboa e Benfica num encontro em 26 de Junho de 1932 num dia em que perdemos no Porto contra o FCP por 0-3. Nesse jogo Jorge Tavares jogou já a defesa central uma vez que apesar de ter perdido a vitalidade dos primeiros anos mantinha ainda apreciável qualidade técnica. Nesse jogo de despedida era treinado por António Ribeiro dos Reis. Na crónica desse jogo, o jornal Diário de Lisboa deixa claro que Jorge Tavares apesar da derrota foi um dos melhores da equipa Benfiquista.



Manuel Serzedelo foi um guarda-redes que jogou apenas 1 época na primeira categoria (1934/35). Participou em 3 jogos no Campeonato de Lisboa e apenas em 1 jogo no Campeonato Nacional. Esse jogo de despedida (da 1º categoria) foi disputado no dia 20 Janeiro de 1935 no campo das Amoreiras contra o Vitória de Setúbal. Ganhamos por 3-1. Serzedelo nessa altura era treinado por Vítor Gonçalves que foi o primeiro treinador Campeão Nacional do nosso Clube. Marcaram Alfredo Valadas por duas vezes e ainda Carlos Torres.


Ecos do jogo de 20 de Janeiro de 1935 em que Serzedelo defendeu as nossas cores. Fonte: DL.



Carlos Torres jogou durante 5 épocas com a águia ao peito (1932/33 - 1936/37). Nascido em Torres Novas, no dia 4 de Janeiro de 1908 estreou-se com 24 anos de idade e saiu do Clube ainda antes dos 30 anos. Tio de José Torres, o nosso bom gigante. Foi um bom avançado, goleador, que se terá estreado na equipa principal no Estádio das Amoreiras no dia 29 de Outubro de 1933 para o Campeonato de Lisboa. Jogou a médio centro e pelas crónicas não foi brilhante nem a sua prestação nem a da equipa. No Domingo seguinte, dia 5 de Novembro de 1933 faria o segundo jogo e aí sim á evoluiu como avançado centro uma vez que Rogério de Sousa tinha sido expulso no jogo contra o União de Lisboa. Nesse dia vencemos o Carcavelinhos por 2-1. Estivemos a perder mas um golo de Eugénio Salvador e outro de Carlos Torres viriam a dar-nos a vitória. O Benfica na altura era treinado por António Ribeiro dos Reis.
 


Ecos do primeiro e do segundo jogo do Campeonato de Lisboa de 1933/1934. Fonte: Diário de Lisboa.


Curiosamente o jogo processou-se na mesma altura do acidente do Cartaxo. Pouco antes corria alguma polémica sobre Carlos Torres, uma vez que a AF Santarém tinha levantado dúvidas sobre a situação burocrática de Carlos Torres e a legitimidade de poder jogar na categoria principal do SLB.



Fonte: Diário de Lisboa, 5 de Novembro de 1933.


Depois viriam mais de 100 jogos e uma trintena de golos. Fez o seu último jogo em 6 de Junho de 1937 num jogo em que recebemos no Estádio das Amoreiras o CF Marítimo e vencemos por 3-0, golos de Valadas, Espírito Santos e Luís Xavier. Nesse jogo de despedida a nossa equipa era orientada pelo Húngaro Lippo Hertzka, um treinador de sucesso mas com um temperamento algo complicado.



Imagem de jogo entre o SLB e o Boavista FC em 1936. Carlos Torres em acção.


Graças ao CD Torres Noves e a uma mensagem colocada neste fórum pelo nosso companheiro de fórum fyure podemos saber mais sobre este homem,

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Nasceu em Torres Novas, na Travessa da Hortelosa, freguesia de Salvador, em 4 de Janeiro de 1908, filho de João Barril e Maria da Conceição Cipriano, irmão de Francisco Torres e Carmina Torres. Aprendeu a profissão de sapateiro e foi militar na Escola Prática de Cavalaria, então sediada na nossa terra.

Foi atleta de quase todos os clubes de futebol que existiram em Torres Novas nas duas primeiras décadas do século XX, mas o seu clube de eleição foi o Torres Novas Futebol Clube, fundado em 1925 e que, passados vinte anos, teve continuidade no Clube Desportivo de Torres Novas. Entre 1926 e 1933 foi a grande vedeta da equipa, tendo alinhado em quase todos os grandes clubes do distrito, como reforço, nos desafios de benemerência ou de exibição, tão vulgares naquela época. Marcava presença obrigatória nas selecções do distrito, que naquele tempo tinha regular actividade.

De 1933 a 1937 representou com mérito o Sport Lisboa e Benfica, numa altura em que abundavam as vedetas no clube lisboeta. A sua ida para Lisboa implicou de imediato, como parte do contrato de transferência, uma vinda do Benfica ao Almonda Parque, em partida que venceu sobre o Torres Novas FC por 5-1, com 3 golos de Carlos Torres.

No SL Benfica jogou quatro épocas, marcando 34 golos em cerca de 60 jogos. Fez o primeiro jogo contra o Belenenses em 25 de Fevereiro de 1934, marcando um dos golos da vitória do Benfica por 2-1. Alinhou pela última vez nos encarnados de Lisboa em 6 de Junho de 1937, contra o Marítimo, jogando sempre no velho campo das Amoreiras. Em Lisboa, ao serviço do Benfica, conquistou um título da primeira Liga e um campeonato de Portugal. Foram seus treinadores Ribeiro dos Reis e Lipo Hertzka.

Pouco depois, em 1939, volta à sua terra, onde se mantém como proprietário de uma carro de aluguer na praça de Torres Novas, com a particularidade de o automóvel ser todo vermelho, "à Benfica", como é bom de ver e, naquele tempo, também à Torres Novas.

Entretanto em Torres Novas, e por falta de campo de jogos, o futebol ia parando. Nesse ano de 1939 há ainda notícia de alguns jogos do Torres Novas, que tinha parado em 1934 a sua participação em competições oficiais. Continuava a haver, pois, jogadores e bons, que eram sondados por clubes vizinhos. Não surpreende, por isso, a inclusão de atletas torrejanos em vários clubes da região, principalmente no União de Tomar e no Atlético Alcanenense, onde Carlos Torres foi jogador-treinador até voltar ao Torres Novas.

Na época de 1944/45 ainda serviu o Alcanenense, mas em Abril desse ano já estava a alinhar na equipa que fez ressurgir o Torres Novas, acompanhando Francisco Tavares na direcção técnica. De resto, no jogo de Abril de 1945, que marcou a segunda vida do Torres Novas, todos os jogadores que alinhavam noutros clubes não quiseram deixar de estar presentes.

Carlos Torres vai ser, portanto, o primeiro treinador do Torres Novas pós-1945, ao mesmo tempo que alinhava como jogador e, com algumas alternâncias, mantém-se até 1952. Chegou a jogar tendo como companheiro Manuel Soeiro, categorizado atleta do Sporting Clube de Portugal que um dia arribou às terras do Almonda. Quer Carlos Torres quer Manuel Soeiro já não eram propriamente jovens.



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No próximo texto falaremos de uma outra fotografia tirada neste mesmo dia no Hospital de Santa Cruz. Uma fotografia que nos trará uma figura em particular que nos vai levar ao universo do ciclismo Benfiquista.



RedVC

#455
-111-
Acidente no Cartaxo (parte II)

Continuando com o acidente do Cartaxo.

Ainda no hospital de Santa Cruz, foram tiradas mais duas fotografias. A primeira traz-nos três outras figuras Benfiquistas.



Luís Augusto Lopes, outra vítima do acidente do Cartaxo de Novembro de 1933, auxiliado por Fernando Assis, Artur Pinto, Ernesto de Figueiredo e Manuel Serzedelo Fernandes. Fonte: digitarq.


Nela podemos identificar mais novamente Ernesto Figueiredo (dirigente?) e Manuel Serzedelo Fernandes mas também mais três outros homens e uma enfermeira. Para dois desses homens consegui encontrar alguma informação. Um futebolista e um homem ligado ao ciclismo. Vamos por partes.

O jogador de futebol era o menos conhecido


De Fernando Assis apesar de se ter estreado com as nossas cores em 1928/29 numa das categorias inferiores, existe apenas o registo de ter jogado num jogo da primeira categoria. Jogo contra o CPAC, Casa Pia Atlético Clube, disputado no dia 16 de Novembro de 1930, no campo das Amoreiras. O jogo acabou com um empate a uma bola por via de um golo tardio de Mário de Carvalho. O SL Benfica era treinado pelo Inglês Arthur John.

Fernando Assis jogaria ainda 4 jogos na equipa principal tendo feito a sua última aparição em 1935/35 quando Vítor Gonçalves era o treinador. Pelo meio completou 3 épocas na 2ª categoria. Jogador que não deixou um currículo muito extenso na primeira categoria mas provavelmente terá tido outras actividades – eventualmente modalidades no nosso Clube.


Por fim identifica-se ainda um nome importante dos primórdios do nosso ciclismo:

Luís Augusto Lopes



Luís Augusto Lopes foi um dos homens fortes dos primeiros anos do ciclismo do nosso Clube. Não sendo este ainda o momento para falar da apaixonante década de 30 do nosso ciclismo e das suas figuras, fica aqui uma primeira alusão.

Luís Augusto Lopes foi um treinador, eventualmente também dirigente, do ciclismo do Sport Lisboa e Benfica. Para além de fotografias em acção nas estradas ao lado dos seus ciclistas, Luís Augusto Lopes aparece-nos num outro registo fotográfico em que se homenageia uma grande figura do ciclismo do SLB: José Maria Nicolau.



Sessão de homenagem a José Maria Nicolau. Proposta de identificação de algumas das figuras representadas. Vê-se o grande ciclista ao centro. Identificam-se para além do Presidente da Direcção Vasco Ribeiro, entre outros também Luís Augusto Lopes. Fonte: digitarq.


José Maria Nicolau é um dos Imortais do nosso Clube. Um nome cuja importância nunca é demais ressaltar. Muita da popularidade adquiria a nível nacional pelo nosso Clube veio das lendárias Voltas a Portugal conquistadas por José Maria Nicolau. E a lenda de Nicolau e das camisolas vermelhas a sulcarem as estradas nacionais começou justamente com a vitória de Nicolau na 2ª volta a Portugal em ciclismo em 1931. Essa Gloriosa equipa pelo que sei era orientada por Luís Augusto Lopes.



Luís Augusto Lopes, treinador da equipa de ciclismo do Sport Lisboa e Benfica que em 1931 participou na 2ª volta a Portugal em bicicleta. Identificam-se ainda José Maria Nicolau (vencedor da prova) e o muito prestigiado Gil Moreira, ciclista e historiador desta modalidade. A equipa do SL Benfica ganhou também a classificação por equipas. Fonte: Museu Cosme Damião.



Uma curiosa imagem de Agosto de 1934 aquando da 5ª volta a Portugal em bicicleta. Luís Augusto Lopes fornece pêras ao seu ciclista, o grande José Maria Nicolau. Pela sua indumentária percebe-se que Luís Augusto Lopes acompanhava as provas de motocicleta. Nesse ano seria obtida uma nova vitória individual de Nicolau e colectiva do SLB. Fonte: digitarq.




Luís Augusto Lopes ajudando o nosso ciclista César Luís a envergar a camisola amarela na 5ª Volta a Portugal em bicicleta em 1934. A prova seria conquistada por José Maria Nicolau. Fonte: Digitarq.



Outro aspecto da volta em 1934. Porto de honra servido no dia 22 de Agosto, nas instalações do Lusitano de Évora. Vê-se Luís Augusto Lopes usando os seus tradicionais óculos. José Maria Nicolau está no lado direito. Fonte: digitarq.



Uma fabulosa imagem de Luís Augusto Lopes, de águia ao peito (e na boina!) ao lado do seu ciclista, o Glorioso Francisco dos Santos Duarte, 2º classificado do Porto – Lisboa em 1933. Nesse ano a prova seria ganha por João Francisco do CF "os Belenenses". Fonte: digitarq.



Outro aspecto da volta em 1934. A equipa do Benfica a recuperar as suas bicicletas após a etapa na Covilhã. Luís Augusto Lopes ao centro com uma camisa escura. Provavelmente vermelha! Fonte: CPF.


Num outro tempo voltaremos com certeza a falar de outras grandes figuras e eventos do ciclismo do Sport Lisboa e Benfica na década de 30.

Como disse anteriormente, das consequências deste acidente foi ainda captada uma terceira fotografia. Nela aparece-nos deitado numa maca um homem identificado como José Luís Tavares.



José Luís Tavares, outra vítima do acidente no Cartaxo, deitado numa maca. Fonte: Digitarq.


Não sei de quem efectivamente se tratava mas o apelido Tavares remete-nos para os manos Tavares, os imortais Victor Hugo e Jorge Tavares. Seria um familiar? Talvez um dia possamos vir saber.

Por fim, e fechando o texto de hoje, deve-se dizer que tudo aponta para que os restantes homens identificados nas fotografias mas para os quais não encontrei dados biográficos fossem igualmente do SLB e possivelmente ligados ao ciclismo. É possível que apareçam e que voltemos a estas imagens um dia destes.




RedVC

#456
-112-
Unidos na dor.

Dia 28 de Outubro de 1931. Rua Direita de Belém.


A impressionante e comovente coluna do Sport Lisboa e Benfica chega à Rua Direita de Belém. Fonte: TT-Digitarq.


A impressionante e comovente coluna do Sport Lisboa e Benfica chega à Rua Direita de Belém. Centenas de sócios acompanham a sua Direcção e muitos dos seus futebolistas. Em profundo respeito desfilam para prestar uma sentida homenagem ao homem e à figura trágica, para sempre jovem, de José Manoel Soares. O popular Pepe tinha morrido quatro dias antes num estúpido acidente cujas causas permanecem oficialmente não esclarecidas.



Fonte: Diário de Lisboa, 28-10-1931.

O SL Benfica desfilava no local onde nasceu. Desfilava para prestar homenagem a uma das maiores figuras do Clube de Futebol "os Belenenses". Nesse dia de dor colectiva esquecia-se o corte de relações entre os dois Clubes. Os dois filhos dilectos de Belém estavam unidos na dor.



Fonte: Revista "Ilustração"; hemeroteca de Lisboa.


Como nos dizia o DL, cerca de um milhar de telegramas foi recebido pelo CFB. De todos os pontos desportivos do país, de muitos clubes do estrangeiro, de Paris, Roma, Milão, Madrid, Rio de Janeiro. Cerca de 4000 pedidos de representação para jornalistas e outras instituições.





O nº 17 da Rua do Embaixador em Belém. Curiosamente na mesma Rua nasceram e/ou viveram duas outras figuras maiores do CFB (de quem já por aqui falamos): Artur José Pereira e Francisco Reis Gonçalves. Este último foi também fundador do Sport Lisboa em 28-02-1904. Fonte: Arquivo Vítor Gomes.


O funeral teve a presença de cerca de 30 mil pessoas. Nunca se tinha visto nada igual no desporto Português.



Fonte: Diário de Lisboa, 28-10-1931.


O futebolista

Quando faleceu Pepe tinha apenas 23 anos de idade. Apesar de tão novo Pepe era já uma figura maior do futebol Português, pelo que fez no seu clube, na Selecção Nacional. Na memória ficou em particular a sua prestação na Gloriosa selecção Olímpica de 1928. Nessa linha de ataque destacaram-se em especial Pepe e o nosso Vítor Silva.



A selecção Olímpica que disputou o torneio de futebol em Amsterdão 1928. Fonte: AML.


Treinado por Cândido de Oliveira, um nosso antigo jogador, nessa selecção Pepe tinha diversos colegas que jogavam no Benfica, os titulares Raul Tamanqueiro, Vítor Silva e os suplentes Aníbal José e Jorge Tavares. A par do nosso Vítor Silva, Pepe foi um dos mais destacados ao marcar dois golos frente ao Chile.

Vítor Silva recém-chegado ao nosso Clube era já um dos mais destacados. E em 1931, três anos depois da aventura olímpica na Holanda, era um dos mais comovidos com a perda do amigo de Belém.

Olhando para a fotografia podemos identifica-lo bem destacado à frente da delegação rubra (número 1). É possível ainda propor a identificação de mais Gloriosos.



Por agora as únicas identificações possíveis: 1 – Vítor Silva (futebolista); 2 – Manuel da Conceição Afonso (presidente); 3 -  Herculano Santos (ex-futebolista); 4 - Vítor Gonçalves (ex-futebolista); 5 - José Simões (ex-futebolista). Fonte: AML.


A maioria dos homens da primeira linha seria com elevada probabilidade membros da Direcção liderada por Manuel da Conceição Afonso. Para a maior parte deles resta-nos apenas o nome. Quase esquecidos da memória colectiva ainda assim se deve ressaltar dois detalhes, primeiro a sua generosa contribuição para que o nosso Clube seja o que é nos dia de hoje e segundo o seu gesto naquele dia em que em uníssono com os sócios anónimos representaram tão dignamente o nosso Clube.

A eles tanto anos depois me junto nesta evocação. Paz e honra à memória de José Manuel Soares, o eternamente jovem Pepe.


Fonte: FPF.

RedVC

#457
Índice

-1- Uma proposta de identificação. (p.1)
-2- Uma identificação errada. (p.1)
-3- Um jogo de beneficência. (p.1)
-4- Os mestres Ingleses na Feiteira. (p.1)
-5- Rostos familiares. (p.2)
-6- À porta da Farmácia Franco.  O0 (p.2)
-7- Sonho de uma noite de Verão. (p.2)
-8- A última alegria do Chacha.  O0 (p.2)
-9- Recuando no tempo. (p.2)
-10- Catataus e Co. (p.3)
-11- Uma homenagem em terras africanas.  O0 (p.3)
-12- Uma taça e dois pioneiros (I). (p.3)
-13- Uma taça e dois pioneiros (II). (p.3)
-14- As camisolas de Júlio Cosme Damião. (p.3)
-15- Futebol e touros. (p.4)
-16- Um regresso feliz. (p.4)
-17- Nos areais de Belém. (p.4)
-18- Uma imagem rara. (p.4)
-19- Um Stromp à Benfica. (p.4)
-20- O António das Caldeiradas.  O0 (p.4)
-21- O terceiro homem.  O0 (p.5)
-22- Os primeiros troféus (parte I): o Restaurante Bacalhau.  O0 (p.5)
-23- Um Ilustre nos primórdios do futebol sadino. (p.5)
-24- Os Condes do Restelo. (p.5)
-25- Resistência: sugestão e mistério. (p.5)
-26- Araújo: uma carreira que ficou por fazer. (p.6)
-27- A primeira Águia.  O0 (p.6)
-28- Amor à camisola. (p.6)
-29- Amor ao clube! (à falta de camisola...). (p.6)
-30- Prémios aos campeões. (p.6)
-31- O primeiro guardião. (p.7)
-32- Glorioso por um dia.  O0 (p.7)
-33- Eusébio às riscas. (p.8)
-34- Dois dias de festa. (p.8)
-35- Sport Lisboa e Salésias: anatomia de uma fotografia.  O0 (p.8)
-36- 111 anos depois: a (possível) iconografia dos fundadores. (p.8)
-37- Três gigantes, três caminhos separados. (p.8)
-38- Um ancião curioso.  O0 (p.9)
-39- Um banquete de notáveis. (p.9)
-40- Cosme, o presidente. (p.10)
-41- Um militar futebolista. (p.10)
-42- Duas despedidas e um alegre convívio. (p.10)
-43- Um jogo infeliz, uma pista extraordinária.  O0 (p.11)
-44- Homenagem a um grande artista. (p.11)
-45- Glória e tragédia. A vida do campeão Carlos Sobral.  O0 (p.12)
-46- A Missão Portugueza Intelectual e Sportiva no Brasil, 1913 (parte I)  O0 (p.12)
-47- A Missão Portugueza Intelectual e Sportiva no Brasil, 1913 (parte II)  O0 (p.13)
-48- A última ceia. (p.13)
-49- A noite da Cruz Vermelha. (p.13)
-50- Ascenção e queda do Pantufas. (p.13)
-51- Escultor de excepção, futebolista sem fronteiras.  O0 (p.13)
-52- Uma escala africana, um desafio histórico.  O0 (p.14)
-53- Dois entre doze. (p.14)
-54- Dois sadinos, duas Saudades. (p.14)
-55- Dois Casapianos num barco sadino. (p.14)
-56- Revisitando o Campo Grande. (p.14)
-57- A vida Paulista de Bella Guttman. (p.14)
-58- Um encontro Americano.  O0 (p.14)
-59- Alguém tinha de pagar!  O0 (p.15)
-60- Belém, a Benfiquista.  O0 (p.16)
-61- Um certo pátio.  O0 (p.17)
-62- 13, ou a Glória Benfiquista de Lázaro. (p.19)
-63- O arquitecto da Catedral. (p.19)
-64- O tribunal dos conspiradores.  O0 (p.20)
-65- Festa de gerações. (p.20)
-66- Memórias Francesas. (p.20)
-67- Cosme e o inventor do Fla-Flu.  O0 (p.20)
-68- Desforra Inglesa em tempo de Monarquia. (p.21)
-69- As manas Bermudes, Gloriosas a pedalar. (p.21)
-70- O dia da dúzia! (p.21)
-71- O Cruzeiro Aéreo às Colónias (I).  O0 (p.21)
-72- O Cruzeiro Aéreo às Colónias (II).  O0 (p.21)
-73- O Cruzeiro Aéreo às Colónias (III).  O0 (p.22)
-74- A Taça Amadora (parte I): Os Recreios Desportivos da Amadora (p.22)
-75- A Taça Amadora (parte II): O grande jogo.  (p.22)
-76- Huelva 1910, pequeno manual para verdes I's. (p.22)
-77- Extinções e fusões, pequeno manual para verdes I's. (p.22)
-78- O casal virtuoso.  O0 (p.23)
-79- Da vida de Cosme (parte I). (p.23)
-80- Da vida de Cosme (parte II). (p.23)
-81- Gloriosos mesa-tenistas no Brasil. (p.23)
-82- Eterno Bermudes. (p.24)
-83- O poço dos nossos adversários. (p.24)
-84- Ora festeje lá outra vez! (p.24)
-85- Gloriosas compras na pátria do futebol.  O0 (p.24)
-86- Um inesperado Glorioso. (p. 25)
-87- As Terras das Salésias. (p. 25)
-88- "O Benfica saúda o Porto"  O0 (p. 25)
-89- Outros Carnavais (p. 25)
-90- Construtor de Catedrais  O0 (p. 25)
-91- Pantera Negra em noite madrilena (p. 26)
-92- Da Catumbela a Freamunde (p. 26)
-93 - 112 anos de Paixão! (p. 26)
-94- O sósia. (parte I)  (p. 26)
-95- O sósia. (parte II)  (p. 26)
-96- L'étude fait l'avenir (parte I)  O0 (p.27)
-97- L'étude fait l'avenir (parte I) (p.27)
-98- Um fresco em prosa: o António das Caldeiradas revisitado.  O0 (p.27)
-99- A Pharmácia Franco (I) – As duas primeiras gerações.  O0 (p.28)
-100- A Pharmácia Franco (II) – A terceira geração e o Sport Lisboa O0 (p.28)
-101- As Gloriosas fazendas de Alcântara. (p.29)
-102- Os primeiros troféus (parte II) – os Costas de Belém.  (p.29)
-103- Os primeiros troféus (parte III) – a Taça "Olímpica".  (p.29)
-104- Miramons de Portugal.  (p.29)
-105- Águias na Guerra (parte I)  O0 (p.30)
-106- Águias na Guerra (parte II)  O0 (p.30)
-107- Águias na Guerra (parte III)  O0 (p.30)
-108- Olhos de fogo, coração de Belém  O0 (p.30)
-109- Em homenagem a Guilherme Pinto Basto. (p.30)
-110- Acidente no Cartaxo (parte I). (p.31)
-111- Acidente no Cartaxo (parte II). (p.31)
-112- Unidos na dor. (p.31)
-113- Um hóquista feliz. (p.31)
-114- Primus inter pares. (p.32)

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RedVC

#459
-113-
Um hóquista feliz

22 de Julho de 1933. Um casamento elegante. Gente distinta, vestidos finos, militares fardados, noivos e convidados felizes.


Fonte: Digitar-TT.

Casamento de Delfina Hood Santos com José Prazeres. E é aqui que se percebe que devemos atentar no noivo.


José Prazeres, nesse dia noivo, foi uma figura prestigiada do Sport Lisboa e Benfica. Uma dedicação longa e ilustre. Uma figura hoje quase esquecida mas de grande contribuição para os primeiros anos de diversas modalidades amadoras do Sport Lisboa e Benfica.

Foi um dedicado praticante de futebol, hóquei em patins, hóquei em campo e atletismo do Benfica. Se no futebol não terá passado da terceira categoria, nas restantes modalidades já foi diferente. Vamos pois recorda-las em crescendo, isto relativamente ao sucesso desportivo que obteve.

Sem dados quantitativos, serão as diversas imagens a mostrar essa generosa e competente contribuição para o Sport Lisboa e Benfica e – como veremos – para Portugal.


Atletismo, a dedicação
 

A equipa de estafetas 5x80m e a vitória de José Prazeres na corrida de 80m no Campeonato Regional do Sul. Fonte: Jornal do Sport Lisboa e Benfica; hemeroteca de Lisboa.


Hóquei em campo, vitorioso


Nesta Gloriosa equipa de hóquei em campo fica ilustrado como por vezes alguns atletas praticavam diversas modalidades, acumulando actividades de treino e jogo na mesma semana para diversas modalidades. Viviam o Clube de forma plena. Assim não admira que vários homens que integraram as equipas do hóquei em campo fossem ao mesmo tempo futebolistas, regra geral de equipas das categorias inferiores do futebol. Por vezes estavam ainda no activo futebolístico como Germano Campos ou Jorge Teixeira, outras vezes eram antigos futebolistas já retirados como Ilídio Nogueira, Mário Montalvão ou José Picoto. Ilídio Nogueira foi aliás também um emérito pioneiro do hóquei em patins no nosso Clube. Foi esse igualmente o caso de José Prazeres.


Hóquei em patins, a glória

E de facto José Prazeres para além de praticar atletismo e hóquei em campo, veio também a distinguir-se no hóquei em patins. Seria aliás nesta modalidade que atingiria a maior notoriedade nacional e internacional.



Uma Gloriosa equipa de hóquei em patins do Sport Lisboa e Benfica. Da esquerda para a direita: Germano de Magalhães, José Prazeres, António Adão, Leonel Costa, Fernando Amaral Adrião, José Costa de Sousa. Fonte: Em Defesa do Benfica.



Outra equipa de hóquei em patins do SLB em 1933: Leonel Costa; António Adão, Silvério Gouveia, Germano Magalhães e José Prazeres. Fonte: Em Defesa do Benfica.



José Prazeres, António Adão e Leonel Costa, três hoquistas Gloriosos no recinto da Gomes Pereira em 1936. Fonte: digitarq-TT.



Outra bela imagem do recinto da Gomes Pereira em 1936. Atente-se no piso molhado... Américo Rombert (árbitro), Olivério Serpa, Fernando Amaral Adrião, Jorge Evaristo, Vítor Lemos (treinador). Em baixo: Germano de Magalhães, José Prazeres, António Adão e Leonel Costa. Fonte: digitarq-TT.


Pela sua qualidade enquanto hóquista, desde cedo José Prazeres representou a Selecção Nacional de hóquei em patins como jogador. Nessa década de 30 a equipa era treinada por Vítor Lemos. Portugal não era ainda uma das potências no hóquei internacional mas já tinha excelentes equipas. Nesses anos era ainda a Inglaterra que conquistava os títulos mundiais e europeus.



A selecção que participou no primeiro Campeonato Europeu em 1930. Ali estão, em cima da esquerda para a direita: ?, António Adão, Germano de Magalhães, Sidónio Serpa, José Prazeres, Leonel Costa, Vítor Lemos (treinador). Em baixo, Fernando Amaral Adrião (gr). Fonte: Delcampe.




Selecção nacional de hóquei em patins de 1936. Da esquerda para a direita: Vítor Lemos (treinador), António Adão, Leonel Costa, Germano Magalhães, Jorge Evaristo, Olivério Serpa, Fernando Amaral Adrião, José Prazeres, Américo Rombert (árbitro). Fonte: digitarq-TT.




Selecção nacional Portuguesa de 1937. Da esquerda para a direita: Vítor Lemos (treinador), António Adão, Olivério Serpa, Leonel Costa. Em baixo; Sidónio Serpa, Fernando Amaral Adrião e José Prazeres. Fonte: rinkhockeynews.wordpress.com.




Recepção à equipa nacional de hóquei em patins que obteve o 3º lugar no campeonato da Europa disputado em Antuérpia de 1938. Nesse tempo a Inglaterra dominava as competições internacionais. José Prazeres está assinalado. Fonte: digitarq-TT.


Na década seguinte chegariam as vitórias já com José Prazeres ao leme da equipa nacional. Numa equipa dominada por jogadores do Paço de Arcos, em 1947, a equipa nacional de Portugal conquistava o 3º Campeonato do Mundo e simultaneamente o 13º Campeonato Europeu. José Prazeres e seus rapazes entravam na história do hóquei Português como vencedores de um torneio mundial.



1947, Pavilhão dos Desportos em Lisboa. As equipas disputaram o Campeonato do Mundo alinhadas. José Prazeres está assinalado. Fonte: http://museuvirtualdodesportoportugues.blogspot.pt/2012_12_01_archive.html




A alegria da vitória. Não há como a primeira. Esta foi a selecção nacional que conquistou o 1º título Mundial de Hóquei em patins em 1947. Em cima: Sidónio Serpa, Jesus Correia, Cipriano, Olivério Serpa e Álvaro Lopes, Em baixo: Correia dos Santos abraçado a José Prazeres. Fonte: wikipedia.



Viriam depois mais três títulos de seguida: Montreux 1948, Lisboa 1949 e Milão 1950. Um saboroso e inédito tetra conquistado pelo hóquei nacional no campeonato do Mundo.



Uma breve história dos campeonatos do mundo pode ser lida aqui: http://mundial2015.hoqueipt.com/article.aspx?id=684


Em 1951 o título foi jogado e perdido na cidade de Barcelona contra a Espanha. Acabou aí a carreira de treinador nacional de José Prazeres. No ano seguinte a equipa já seria orientada por Sidónio Serpa.



A última selecção nacional orientada por José Prazeres em 1951. Equipa portuguesa, vice-campeã. Em cima: José Prazeres (treinador), Sidónio Serpa, Emídio Pinto, Edgar Soares; em baixo: Jesus Correia, António Raio e Correia dos Santos.




Os Campeonatos do Mundo em que José Prazeres esteve envolvido. Como treinador foi tetracampeão Mundial. Uma Glória de sempre do nosso hóquei. Fonte: Fernando de Castro. "Campeonatos do Mundo de hóquei em patins, subsídios para a sua história".



Desconheço outros detalhes da vida de José Prazeres. Ainda estou a aprender. Fica aqui o convite para que outros contribuam caso saibam.

Deste material resulta uma evocação de um homem, de um grande Benfiquista cuja contribuição variada, competente e vitoriosa deu muito ao nosso clube e ao nosso País. Um obrigado ao imortal José Prazeres.



Bakero

Aprendo imenso com este tópico sobre uma parte da História do Benfica que nunca pensei vir a aprender. É sensacional o trabalho de pesquisa e todas estas fotos interessantíssimas.

Um bem-haja!  O0

RedVC

Citação de: Bakero em 10 de Julho de 2016, 15:03
Aprendo imenso com este tópico sobre uma parte da História do Benfica que nunca pensei vir a aprender. É sensacional o trabalho de pesquisa e todas estas fotos interessantíssimas.

Um bem-haja!  O0


Obrigado Bakero. Fico feliz por gostares  O0

Com toda a sinceridade, também eu.

O que quero dizer é que muita desta informação é para mim perfeitamente desconhecida até pesquisar.

O processo é simples. Surge uma pista e sigo por aí. Muitas vezes é uma fotografia estranha outras vezes uma notícia sobre uma figura ou acontecimento do SL Benfica. Depois é ir buscar as fontes e cruzar informação. Cada caso tem uma história. Por exemplo nos textos 99 e 100 sobre Farmácia Franco tinha um conhecimento rudimentar que tinha existido dois Condes e que só o segundo teria sido importante para o SL. E o resto foi totalmente novo.

O SL Benfica é muito grande e 112 anos dão muita matéria prima. Tenho uma dezena de histórias na incubadora e ideias para mais. Algumas exigiriam tempo e mais material de fontes que ainda não disponho. Quando as fontes aumentarem - estou à espera de algumas coisas novas - então mais há-de vir.
 
No fundo a coisa resume-se a esta ideia. Não há informação e textos destes? Faz-se.

O melhor disto tudo? Duas coisas. O prazer da pesquisa e o prazer da partilha.


faneca_slb4ever


Ned Kelly

Quanto mais leio aqui sobre estas figuras da nossa História, mais amo o Benfica!

RedVC

Obrigado pelas palavras simpáticas.  O0

Alberto Miguéns publicou uma bela e oportuna evocação do hóquei em patins Português e da contribuição decisiva e ganhadora dada pelo SL Benfica.

A não perder. Aqui:

http://em-defesa-do-benfica.blogspot.com/2016/07/quando-portugal-foi-o-benfica.html